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Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Histórias estampadas

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A nossa história e vida está escrita no nosso corpo que é como um livro, um mapa, aberto - que só nós conseguimos verdadeiramente decifrar. Cada ruga, cabelo(s) branco(s), cada sinal, cicatriz, dente torto, mais escuro ou falta dele: transporta-nos para uma época, altura, idade ou circunstância. O relógio continua a funcionar, com mais ou menos corda, e nós continuamos a fluir, com ele, pela vida.

 

Podemos deparar-nos com os nossos traços de história todos os dias. Mas não são só eles que estão impregnados da energia de momentos vividos que nos tornam quem somos. Há outras coisas que nos falam, em sussurros, sobre outros tempos: e a história que nos vão segredar ao ouvido, pode nem sempre ser a nossa. Sempre que visito um monumento ou local de antigamente, sinto algo no ar que me põe, automaticamente, em modo contemplativo - quase que apático. É como se os meus sentidos e energia se tornassem pastilha elástica e se moldassem a tudo o que aquelas paredes testemunharam, escutaram e a tudo o que se por ali viveu. Começo a imaginar... e viajo.

 

Ontem, deparei-me com um lugarejo assim. Algures, perdida perto de Vila Real, numa aldeia, uma casa descansava - ainda com janelas e telhado - de porta fechada.

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Por entre silvas, entrei. No interior, vários relógios espalhados - principalmente num dos quartos pequenos e toscos - riam-se de nós, do Tempo. Um deles ainda mostrava toda a sua vitalidade por detrás do seu pujante tic-tack. Olhando para as paredes, pensei que histórias escondiam: quantos filhos nasceram ali? Quantos netos lá pernoitaram? Que odores dançavam dentro daquele fumeiro? Quantas vezes foi despejado aquele penico que repousava, ainda, debaixo de uma cama cujo colchão era o banquete vivo da bicharada?

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Pelas paredes, crenças impressas rejubilavam preces fervorosas que talvez tenham sido ouvidas: a fome que não foi grande naquele inverno, a praga que não atacou as árvores de fruta, os grãos que - dia após dia - continuavam a crescer na arca onde estavam, religiosamente, guardados. O vinho... que alegrava vidas mais tristes e aquecia tripas friorentas. Quem sabe?... Um Santo António erguia-se, majestoso e cuidador do menino que carregava nos braços, contudo, sem cabeça. Alguma discussão que se lha fez perder? Talvez tenha ficado demasiado tempo de castigo, cabeça para baixo, por não ter arranjado casamento às donzelas da casa?

 

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Nesta casa de gente simples: pequena e despretensiosa, um espelho pendia à porta. Seria para o agricultor se mirar, ao raiar da madrugada, antes de sair para a lavoura barriga cheia de sopa de feijão? Ou seria para ao domingos, antes de irem para a missa, poderem atestar que tudo estava nos devidos conformes?

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Um espelho ao contrário

 

Hoje, ao assistir ao filme "HUMAN Extended", muita coisa me passou pela mente... contudo, decidi começar a escrever quando acabei de assistir ao "capítulo" referente ao trabalho. Enquanto ouvia aqueles depoimentos de pessoas, enquanto olhava para os seus olhos, cabelos, lábios... pensava no quanto as sociedades modernas - eu, nós - fizemos a coisa de uma forma torta. Por muitos motivos, na certa, mas de repente pensei: "Passo a vida nas Redes Sociais, a querer seguir exemplo de pessoas que obtiveram - o que considero ser o sucesso - nas suas vidas, desejo espelhar-me nelas, nas aparente felicidade e triunfo delas (que deve estar longe da realidade - apenas somos, na WEB, o que queremos parecer) e esqueço-me da grande maioria da população mundial. Porque não me espelho na pessoa que toda a vida trabalha de manhã à noite para conseguir viver, tem um trabalho duro, e viverá pobre toda a sua vida? Porque não oiço histórias reais e percebo que a vida são batalhas, desafios e aprendizagens e não estrelato? Porque me esqueço que o crescimento não acontece sem superação? 

 

Eu acredito que no Universo tudo tem um propósito e, por isso, consigo aceitar que a evolução da nossa sociedade acontece assim por algum motivo que me pode transcender. Mas, algumas vezes, a minha mente humana questiona: num mundo onde a proximidade física e online devia estancar a solidão, porque a solidão nos contaminou? O que aconteceu connosco para nos sentirmos sós no meio de tanta gente que nos rodeia? Numa era de informação, como é que o diálogo e criando estranhos que vivem dentro da mesma casa? Com uma ciência que nos explica que todos somos compostos por células, que tomos temos uma mente brilhante, que todos somos feitos do mesmo - quando perdemos o sentido de espécie e começámos a nos dividir, discriminar e combater?

 

Apesar destas questões, sinto que chegámos a um tempo de ruptura e caminhamos para o mundo onde a maioria dos seres humanos estão a conseguir quebrar estes padrões comportamentais: sentindo o respeito pelo outro e dignificando o Amor como base de tudo. Eu ainda não sou totalmente assim - não quero com esta exposição ser hipócrita ou apontar dedos. Apenas quis partilhar convosco alguns fluxos pensantes que transitam pela minha mente e coração. <3 Alegro-me por imaginar essa Nova Era. <3

Vamos pintar um novo quadro

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Quem somos? Em que acreditamos? Quais os nossos valores e porque são esses os valores que habitam na caverna do nosso inconsciente? Que correntes tiveram mais influência sobre nós, moldando-nos mais? Culturais, religiosas, espirituais? Até que ponto somos NÓS? Até que ponto, resistimos de sermos realmente NÓS?

 

É confortável viver com quem acreditamos ser - muitas vezes, na nossa confusão mental do que isto representa. Sentimos que não somos de todo assim, mas não sabemos ou conseguimos perceber como ser de outra forma. Como sair do meio do novelo de nós que está criado à nossa volta. Resistimos... temos vontade de não o fazer, mas muitas vezes, temos mais apreensão do que vontade. Receio do novo, do desconfortável. Ou então, apenas não vimos como podemos construir a nossa nova realidade fiel à nossa vontade interna. É como termos uma tela pintada e não gostarmos do desenho e não percebermos que podemos criar uma tela nova, branca. Quando a tela branca chega, uma dança de borboletas inicia-se na nossa barriga... o coração e entusiasmo querem... a mente e a mão tremem... e se esta também não ficar como sinto? Se falhar nesta também? E se for difícil demais? Há um medo em acreditar que é possível - que é permitido. Há um medo, ainda maior, da frustração e da falha.

 

Pergunto: valerá a pena olharmos para a nossa tela e convivermos com uma pintura que não gostamos e nos enfeita o nosso espaço, em detrimento de tentarmos e tentarmos e tentarmos criar uma tela nova, bem à nossa medida, que cada vez que é observada nos preencha o SER de cima abaixo? Qual será a maior das prisões: uma conformidade e tristeza continua ou um cair e levantar constante, em busca do que ambicionamos? 

 

Muitas vezes, quando não conseguimos ter coragem de acreditar que nos cabe a nós deitar a nossa antiga tela fora e adquirir uma nova, a Vida (ou o Universo, ou Deus, ou a Divindade, ou a Energia,...) dá uma ajuda - como ela tão bem o sabe fazer. Quando tem de ser, podem acontecer experiências fortíssimas que nos obrigam literalmente a largar situações e crenças enraizadas e mudar o nosso "chip". E aí percebemos que não temos de viver em esforço, dificuldade, tensão, numa redoma fechada de luta desgastante. Que podemos superar-nos nesse sentido, reescrever-nos - interna e externamente. Que podemos seguir, deixando o medo, a ansiedade, a sabotagem, o controlo, a frustração e a dúvida pelo caminho. Que somos donos da nossa Essência e que escrevemos a nossa história, as nossas células, cada traço e movimento que emitimos.

 

Não precisamos ser Seres resignados cuja nossa identidade anulamos em detrimento disso.
Podemos identificar padrões... reflectir sobre eles... deixá-los ir com segurança e Amor: libertarmo-nos. Por esta ordem.

 

Vamos aceitar a nossa limitação, entregar, reflectir e, passo a passo, mudar estruturas com muita calma, paz e amor-próprio. Com muito respeito por nós. E, com alegria no nosso coração. É como mergulhar - sem hesitações - num mar negro que, conforme vai sendo explorado em profundidade, fica mais claro, aconchegante e colorido.

 

Por isso, sempre que sentir desafios e resistência, aproveite! Sorria e pegue nisso, identifique, leve do inconsciente para o consciente e crie condições para se expandir e libertar. Não viva mais à deriva... avance. Porque a vida dá-nos apenas estas 2 opções. 

 

A época da ilusão, do medo, das crenças de controle para se chegar à perfeição, estão a ser derrubados por um novo paradigma de entrega total. Estamos a ser convidados para um despertar incrível que nos convida para uma vida de Acreditar.

Fim de ano e um nó no Intestino

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O fim dos anos são sempre muito complicados para nós (eu mesma e para o intestino também!): esta sensação de algo inacabado, prestes a acabar - na qual tudo fica em suspenso - deixa-nos meio loucos. 

 

Em todos os fins de ano, normalmente 1 mês antes, começamos sempre com esta sensação sufocante de que tudo fica em suspenso. Invade-nos uma vontade que tudo acabe logo para depressa vir um novo ano - como quando o dia começa depois de uma noite bem escura e longa. É como estar debaixo do mar e poder, por fim, chegar à superfície e respirar. Nem sempre este sentimento tem razão de ser - por vezes apenas lá está. Mas este ano, para além de ter começado mais cedo, todas as semanas acontecem pequenas coisas. Umas marretadas na cabeça que nos vão enterrando aos poucos na lama fria.

 

Penso que a isto se chame vida: ao mesmo tempo que é insuportável e sufocante - é maravilhoso assistir à sua sabedoria, pois ela não faz nada em vão. E quando assistimos às causas sabendo os porquês, tudo ganha uma nova dimensão e é como se um nós se desfizesse numa alegre dança de luzes.

Intestino no Feminino

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Acredito que a nossa caminhada nesta jornada é feita de etapas - e que cada etapa tem um ou mais temas de aprendizagem associados. Para mim, desde uma determinada tomada de consciência, estes revelam-se bastante claros. Quando assim o é, é vital ficarmos atentos ao mesmo e percebermos o que é que ele nos sussurra ao ouvido - que dança quer ter connosco. É uma chamada de atenção para aprofundarmos o nosso conhecimento sobre o assunto, ou é apenas para trabalharmos a temática em nós mesmos? É para mudarmos a nossa forma de estar relativamente ao que nos é proposto? Estamos em ponto de viragem e mudança - relativamente a esse assunto? Ou aquele tema surge porque estamos a mudar alicerces e ele vem confirmar esse trabalho?

 

Neste momento, estou a trabalhar, pelo menos, 2 grandes temas e há um - ao qual não estava a dar tanta importância assim, que tem vindo a acenar-me com mais euforia a cada semana que passa: o do ciclo feminino. A escuta activa do corpo feminino para uma jornada mensal mais plena, consciente, frutífera e equilibrada.

 

Sempre fui daquelas pessoas que não escuta o seu corpo tanto quanto podia, sendo que sabia a data da menstruação e a data em que ela deveria vir. Parecia o bastante. Depois do meu percurso durante este ano, e sendo que ando a trabalhar o meu útero mais activamente nos últimos 2 meses, escutar mais o meu ser feminino chama por mim a cada dia que passa.

 

2016 foi, decididamente, o ano em que o feminino, a maternidade, o útero e todos os símbolos do que é ser mulher se destacaram. Se houvesse "a Palavra do Ano" no meu universo pessoal: feminino seria, sem dúvida nenhuma, uma das potenciais vencedoras. Imagino na quantidade de mulheres que, como eu (até agora) têm mais do que pensar no que em escutar o seu corpo - o seu "Eu" feminino. Mas desde que fiquei atenta a este tema e o comecei a sentir em mim, há coisas engraçadas que acontecem. Este mês, tenho quase a certeza que senti a minha ovulação. Tenho muitas amigas que a sentem, mas eu nem isso.

 

Esta caminhada que começou mais activamente com a consciência de uma série de problemas no aparelho reprodutor (primeiro foram os ovários poliquísticos, depois o útero que tem um septo), vai-se desenvolvendo como uma brisa que segue a corrente de um rio: leve, solta e fluida. Em Outubro, participei pela primeira vez com sentido e consciência na Bênção do Útero - uma meditação temática planetária que está ligada ao nosso eu feminino.Fiquei a saber que há mulheres que estudam os seus ciclos e os associam às Fases da Lua, tirando daí um conhecimento que elas consideram fundamental. Tomei conhecimento de um projecto interessante: o Tesouro de Lilith, onde li sobre o respeito pelos nossos ciclos:

"O ciclo menstrual proporciona-nos uma grande sabedoria de nós próprias e da natureza que nos rodeia. É muito fácil de entender se observamos as estações!"

 

Enfim, percebi que o meu EU Feminino era importante para saber contar a minha própria história, e crescer dentro dela. Faz parte do nosso rumo, do nosso equilíbrio e que está em nós. É algo importante de ser resgatado como sabedoria interna e ancestral. Que se olharmos para a natureza em busca de inspiração, percebemos que a vida surge a partir de momentos como este com um grande potencial de renascimento - como que uma semente oculta prestes a romper a terra e brotar.

Normalização

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Já por aqui falei, anteriormente, nas possíveis dificuldades em mudar de regime alimentar quando não se vive sozinha ou se vive em casal. Penso que quando vivemos com colegas ou pais possa ser mais fácil, uma vez que basta começarmos a comprar as nossas próprias coisas e a cozinhar para nós. Contudo, quando vivemos enquanto casal - cujas refeições são partilhadas, programadas, pensadas e confeccionadas em conjunto - e quando a mudança é apenas de um dos elementos - a ginástica é maior.

 

Tenho falado com pessoas que passaram por este processo, com variadas histórias: umas o/a companheiro/a altera os hábitos também, outras recusa-se definitivamente, outras que contam como pode ser interessante e engraçado. No meu caso decidimos que cada um seguia com a sua dieta.

 

Posso dizer-vos que nunca tinha reparado como a comida - desde o processo de compra a cozinhar e comer - unia as pessoas. A força social do acto de comer é espantosa, sendo um motor inconsciente para muitos.

 

Tomada a decisão, já passei por várias fases: a do comer sozinha; a do ir às compras sozinha; a do fazer para os dois e não ser aceite; a do fazer diferente para cada um e a do outro ficar pouco apetitosa; a de comermos apenas fora para tentarmos fugir da hora da refeição em casa; a do tentar fazer uma base comum e mudar apenas um dos elementos (a carne); a do fazer peixe e peixe para dar para os dois,... penso que há uma sensação de abandono quando, numa relação, uma das pessoas muda um hábito comum. Fico feliz que esta sensação e situação esteja a ser ultrapassada, aos poucos, e a normalizar. Agora tudo flui com mais facilidade - embora ainda falte um pouco de óleo na engrenagem ;)

 

Hoje: duas frigideiras e dois tachos. Carne de peru numa e cubinhos de tofu na outra. Arroz integral para um lado, branco para outro. Natas de aveia e caril para os dois :)

 

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