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Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Um intestino ZEN - Como tudo começou

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Desde cedo tive interesse em algo mais do que o que me estava a ser explicado. Venho de uma família católica e a minha mãe - e família em geral -, na altura, não falavam em crenças paralelas ou diferentes. Apenas porque não se ouvia falar, não se pensava nisso: havia aceitação, mas ainda não havia abertura de consciência.

 

Nas horas livres, pela mediateca da escola comecei a consultar um livro enorme e ilustrado sobre fenómenos sobrenaturais. Devo confessar que deixavam o intestino um pouco nervoso, mas era mais forte do que eu continuar a ler histórias sobre casas assombradas que tinham, em suas entranhas, cemitérios antigos. Depois, comecei a ler Paulo Coelho. Foi o primeiro autor do género e o que era mais acessível. Lembro-me que o livro "Brida" me balançou particularmente. A seguir, foi Brian Weiss... "Só o Amor é Real" foi devorado em 3 horas, enquanto era suposto estar a estudar para o exame de Português.

 

Só mais tarde, o intestino foi para a faculdade, é que comecei a integrar algumas experiências que me abriam mais umas portas para um maravilhoso mundo que - até então - apenas conhecia através da leitura. Tenho um caderno que me segue desde então, no qual tenho uma árvore onde gravo o nome (por ordem) de todas as pessoas que me ensinaram algo, me inspiraram e guiaram neste mundo maravilhoso em que estudamos a nossa Energia, a do Universo, as terapias alternativas,... o primeiro nome dessa lista, é o da Fátima Marques.

 

Conheci a Fátima - e, com ela, os conceitos de Constelações Familiares e Massagem Biodinâmica - em 2003. Foram as minhas primeiras formações ou workshops em "algo novo". Fiz terapia com ela, e ainda hoje não nos lembramos ao certo de como ou porque é que parámos os nossos encontros da altura. Abaixo um texto que escrevi após um workshop dela chamado "Relações que curam":

 

“A sua tarefa não é procurar pelo Amor, mas meramente procurar e encontrar todas as barreiras dentro de si que construiu contra ele.”, Rumi

 

Relações que curam

Como é que interagem duas pessoas? E como se conseguem relacionar? Será que estamos abertos a uma mudança e a uma cura interior? Em relação à nossa vida, podemos ter dois tipos de atitude: de aproximação ou de evitamento. Quando seguimos o caminho do evitamento, deve-se ao facto de termos tido uma ou mais experiências difíceis no nossa vida e ao facto de termos medo que voltem a acontecer, fazendo com que as evitemos de forma inconsciente. A nossa energia fica ocupada em evitar todo o mal que nos possa acontecer e não em procurar o que nos possa fazer feliz. Com esta abordagem, nós não vivemos, sobrevivemos.

 

É importante sobreviver! O que é perigoso é habituarmos-nos a este meio de subsistência e continuarmos a comportar-nos como nestas alturas de maior mágoa e sofrimento como se ela fizesse parte do presente e não apenas do passado. Os nossos níveis de stress e de ansiedade mantêm-se, condicionando a nossa independência e as nossas liberdades de escolha. Transformamos-nos no elefante do circo que em adulto não foge devido a ter sido preso a uma estaca pesada em pequeno. Apesar de todo o esforço, o elefante bebé não se conseguia libertar. A estaca era muito pesada para ele. Em adulto, devido a esta experiência, o elefante não se solta mesmo que esteja preso a uma estaca muito pequena por acreditar que não pode. A esta atitude, a Psicologia Positiva chama de Desamparo Aprendido. Assim é grande parte do ser Humano que ao fim de ter sido impotente para fugir durante muito tempo, aceita o "sempre foi assim e sempre o será". Isto faz com que não nos apercebamos da mudança das circunstancias na nossa vida.

 

Passamos muitos anos a tentar ser diferentes daquilo que realmente somos, para encaixar no nosso espaço circundante. Queremos ser melhores e/ou perfeitos, tornando-se necessário a procura de ajuda para nos conseguirmos libertar das orientações exteriores que nos foram embutidas desde a infância. Para que consigamos recuperar a nossa própria orientação, aquela que se adequa a nós e nos levará a uma vida plena e autónoma.

 

A divisão entre a nossa parte boa e má, foi aprendida através das reacções dos outros, através do olhar dos outros. Daí que a solução também esteja no olhar dos outros para que consigamos esta aceitação: “onde esteve o dano, encontramos a cura”.

Aprendemos a amar com os nossos pais e eles com os deles. Mas será que eles eram capazes de amar incondicionalmente? É que este é o único tipo de amor, uma vez que o amor condicional, não é amor. Será que aquilo que aprendemos a chamar amor, é realmente amor? Quantas vezes a repressão não foi feita em seu nome? Quantas vezes o amor não vem misturado com dor, incompreensão e violência? Mas esses não fazem parte do amor. Vieram em conjunto mas não são a mesma coisa. Quando nos habituamos a chamar a esse conjunto amor, inevitavelmente aprendemos a ter medo de amar. Não queremos ser magoados outra vez, associamos o amor à humilhação e à dependência.

 

Na nossa vivência, estamos tão envolvidos na nossa própria historia, no nosso “eu”, que muitas vezes não conseguimos dar ao outro aquilo de que ele precisa, nem receber dele aquilo que precisamos. Podemos reaprender a experienciar um estado de ressonância com o outro, em que o vemos e o aceitamos, o sentimos, tal como ele é, e somos vistos e aceites como realmente somos. Este é um estado de amor adulto e autónomo, liberto de condicionamentos. Para algumas pessoas, poderá ser totalmente novo!

 

 

Saiba mais sobre a Fátima Marques, aqui.

 

Tea Time with the Liver

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Hoje foi dia de visitar antigos conhecidos... não, não estava na agenda nem planeado. Não marcámos, fomos convidados, nem levámos um presente para o nosso anfitrião. Apenas aparecemos e, acreditem, ficámos tão surpreendidos como quem nos recebeu! Hoje foi dia de ir beber chá com o fígado (e outros amigos, mas vamos ficar pelo fígado mesmo).

 

Num trabalho de introspecção - e do chamado desenvolvimento pessoal -, trilhando aquele caminho que não podemos deixar de desbravar, hoje tivemos um encontro com alguns dos nossos órgãos.

 

Encontrei o meu fígado no seu canto, grande e pachorrento como um senhor na casa dos 60 cuja paciência já se encontrava um pouco esgotada. Afinal, para um senhor cuja idade já pesa, que vive rodeado de outros órgãos vivaços (alguns quase psicóticos até), nem sempre é fácil. No seu refúgio lateral, como que conformado com a vida e já sem a sua companheira (a vesícula biliar há já alguns anos que se foi), que mais pode um velho sedentário fazer senão suspirar e aguardar? Foi assim que o encontrei. Não se podia dizer que estava de mau humor, mas a sua sapiência permitia-lhe não ter de simular qualquer empatia ou simpatia por ali me ver. Quase que com receio de o incomodar, fui tentando perceber porquê daquele meu velho "dinossauro" se encontrar com tal astral. Não foi preciso palavras para perceber que, quando somos pesados - cada vez mais pesados - a mobilidade é algo que não queremos desbravar. E assim ali se ficou, num local onde - segundo ele - a sua única amiga (ou inimiga) é a boca. Lá me confessou que era dela que gostava e que só ela poderia cuidar dele. Findei a minha visita despedindo-me e fiquei a pensar em tão encorpada personagem. A boca - o seu único e grande amor - amá-lo-ia tanto como ele a ela? Creio que não. Sendo assim, entrei numa missão de amor ao próximo, neste caso, ao meu fígado. Que precisa, na certa, de emagrecer e ganhar alegria de viver!

 

Intenção: Saúde Perfeita

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Por causa da nossa irritabilidade, há muitos anos que a nossa alimentação é mais cuidadosa do que a grande maioria das pessoas: mas nunca demasiado rigorosa. Fritos, cafés, molhos, picantes - sempre nos irritaram e já eram deixados à margem do nosso pretensioso palato. Mas sempre gostámos de experienciar os vários paladares que à boca pudessem chegar. 

 

Provar, comer, cheirar, sentir e aconchegar: somos verdadeiros food lovers! Animar o espírito tendo a boca como meio pode tornar-se um hobby bastante apreciado e, por vezes, viciante. Olhar, sentir o aroma, por na boca, sentir a textura, mastigar, salivar, engolir: uma das coisas mais consoladoras para quem vive intensamente numa sociedade de informação activa em pleno século XXI!

 

Foi por isso que ficámos espantados - se é que não ainda mais irritados - quando no nosso Retiro "Ensinamentos da Índia", com Rute Caldeira, a mensagem era para trabalhar a nossa saúde perfeita. Contudo, depois de respeitarmos tamanha teimosia, demos por nós a apaixonarmo-nos.

 

Frequentamos os retiros da Rute Caldeira - Uma Dieta Espiritual - 2 vezes por ano. Até agora tem sido assim e, se mais houverem, a mais iremos. Para além do descanso, o enorme Amor partilhado pelo grupo que se junta em cada ocasião e os ensinamentos revelam-se preciosos. Confessamos que no dia da partida nos sentimos sempre... bastante medrosos, uma vez que vamos de uma forma e nunca sabemos como regressamos! São 3 dias de pura comunhão connosco mesmos, de partilha, onde o sentido de comunidade é recebido e integrado com emoção. São, também, 3 dias a renovar energias e a enfiar pérolas pela boca! Pérolas que debulham saúde. E posso garantir que quando comemos pratos feitos com Amor: até a nossa alma se lambuza! 

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O último retiro aconteceu em Maio de 2015 e aconteceu ao abrigo dos projectos Zen Family e BioFamily. Para além do Yoga diário, a BioFamily cozinha tendo em conta o estilo de vida e ensinamentos da Macrobiótica. A única aproximação ao que era a Macrobiótica que tínhamos tido, havia sido um comentário - há mais de 7 anos - de uma amiga que disse que a Macrobiótica era "algo complicado e cheio de detalhes - não havia paciência para a coisa". E nós, como gente prática que somos, interiorizámos esta indicação agradecidos. Quem é que gosta de complicações? Acontece que nesta estadia, algo mudou. Todo o alimento experienciado era acolhido com gosto e verdadeiro prazer. Não sabíamos explicar, não queríamos acreditar ou pensar muito sobre o assunto: apenas percebemos que algo tinha de mudar.

 

Desde então, a Macrobiótica e o Yoga entraram na nossa vida. Esperamos que nos acompanhem nesta mudança!

 

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