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Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Ordem de despejo :: Para o bebé, do intestino

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Foi numa segunda ao final da tarde: já estava de malas preparadas, mas não esperava ter de sair tão cedo. Tocaram à campainha. Primeiro uma vez, e outra... insistiram... a porta foi arrombada no exacto momento em que ele se preparava para descansar. A luz entrou: um clarão invadiu todo o seu espaço e o tempo parou. Se lhe perguntarem, responderá que apenas permanecem na sua memória fragmentos que navegam em câmara lenta à frente dos seus olhos: a água a desaparecer num turbilhão... um susto... uma mão... um puxão... luz, muita luz... um ambiente diferente: ar... aqueles sons... todo aquele brilho... o medo... o corpo a ser empurrado e manipulado... a voz dela de novo (parecia diferente agora)... finalmente, a sua pele... um tecido quente na sua boca... aconchego... e de novo solidão. Onde estaria? Deixou-se de novo ir. Quando acordou, o mamilo quente na sua boca: a segurança, aquela sensação de paz... E de novo o nada.

 

E assim foi durante uns tempos. Depois da ordem de despejo, ele ia e vinha - por entre escassos momentos de alguma presença e lucidez. Ela concentrava-se para se adaptar e cuidar dele o melhor possível. Visitas... muitas visitas. Vozes, toques, risos, sons agudos, cheiros. Que mundo seria este? Enquanto ela lá estivesse, tudo poderia funcionar mais ou menos bem. Que mundo novo seria este? Aquele ser pequenino, magro, enrugado que dependia dela? Seria normal? Se calhar não era e ninguém tinha coragem de lho dizer. Parecia estranho... estaria doente? O que estaria a sentir? Ela não sentia grande coisa... seria normal? Não era que não gostasse dele: já era impossível pensar na sua vida sem ele ao seu lado. Mas não estava apaixonada. Não o achava extremamente belo. Não tinha ficado emocionada e o seu coração... continuava igual - ainda não tinha derretido de Amor. 

 

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O meu filho nasceu às 21:22 de uma segunda-feira, de cesariana. Não era o parto sonhado (será que não? A verdade é que morria de medo de pensar que um bebé ia passar pelo meu canal vaginal e sair... enfim... por aquele buraquinho que não parecia ser assim tão grande!), mas era o esperado: ele estava sentado e não ia dar a volta. Na consulta daquele dia, com 37 semanas, a minha tensão estava alta e ele tinha de nascer. Internamente, expliquei-lhe o que ia acontecer: tinha a secreta esperança que ele recebesse a mensagem e que o momento se tornasse menos assustador. Não há partos certos e errados. No percurso, aceitei que não era menos mãe, menos mulher por ter tido uma cesariana.

 

Tudo correu extremamente bem: sem dor, sem reacções a anestesias, sem percalços. Ele nasceu: era mesmo um bebé que tinha na barriga. Fiquei incrédula! ;) Contudo, estava tão focada em manter o meu equilíbrio interno, que só depois de 6 meses consegui categorizar o meu parto como um dos momentos mais impressionantes e marcantes da minha vida. Antes disso, apenas flutuava sobre as lembranças dos acontecimentos. Também posso partilhar que - apesar de ter amado o meu filho desde o primeiro momento - só me apaixonei por ele 2 meses depois. Ou terão sido 3?... Precisei de tempo para voltar a mim. Para integrar. É mesmo assim: respeito todo o meu sentir e agir.

 

Agora, no dia em que ele faz X meses de nascimento, conecto-me com aquele rápido momento. Revivo. Sinto. Permito-me.

Por vezes, olho para ele e ainda me pergunto: "Estás aqui?!". 

 

Para mim, os 4 primeiros meses foram muito desafiantes. Foram estranhos, confusos. Depois, ele começou a florescer e - com ele - o meu coração também. Estou a viver cada gota deste aprendizado: adoro passar pelas novas etapas com ele. Não é só o seu primeiro sorriso, o seu primeiro Natal, a sua primeira sopa. É a NOSSA. Eu, enquanto mãe. Gosto de me informar, ter escolha, testar, errar, voltar a tentar, sentir, viver. É um momento glorioso e que quero sereno. Há muita gente que não respeita esse momento e vivência única e mágica e que acha que temos de nos circundar de regras alheias e que não nos dizem nada. Isso retira algum brilho ao momento: desgasta. Mas, ainda assim, é maravilhosa toda a partilha que temos em família. É uma jornada incrível, que acaba de começar e que desejo longa. Não preciso de mais nada... <3

Latte de Camomila e Lavanda

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O Golden Milk abriu portas e agora não queremos outra coisa: experimentar bebidinhas quentes e aconchegantes! É à noite, quando tudo está silencioso, é a altura perfeita para se fazer esta receita!

 

Desde pequenos que ouvimos dizer que o leite quente ajuda a dormir (embora para o intestino irritável – e estômago – seja uma receita que não pode ser um hábito), e esta mistura seria o próximo passo. A camomila é usada desde há séculos para ajudar a relaxar e acalmar estômago e intestinos, sendo um anti-inflamatório natural. A lavanda tem já um conhecido desempenho na história do relaxamento e alívio do stress.

 

Com um pouco de mel para adoçar este néctar, um golo desta bebida promete ajudar-nos a esquecer todos os problemas do nosso dia! Bom... vou deixar de empatar e passar à partilha da receita. ;)

 

Ingredientes:

450gr de leite (sem lactose)
1 colher de sopa de flor de camomila seca
2 colheres de chá de lavanda seca
1 ou 2 colheres de chá de mel
¼ de uma colher de chá de extracto de baunilha

 

Instruções:

Aquecer o leite num tacho até estar quente (sem ferver)
Adicionar a camomila e a lavanda e deixar ferver
Baixar o lume e deixar a infusão ferver entre 5 e 10 min
Coar a mistura para uma caneca
Adoçar com mel e adicionar o extracto de baunilha

 

Fonte: https://helloglow.co

Golden Milk

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Alguém nos disse: "Ah e tal, devias experimentar, é bom e como é fácil de fazer, deve dar para ti."

 

O quê? Uma bebida com pimenta, açafrão - ai, peço desculpa, "curcuma", que açafrão é caro como um raio - e uma série de especiarias que servem para condimentar pratos salgados?... vá... está bem... só há 2 especiarias, na receita, que servem para pratos salgados, mas ainda assim basta para o meu alerta esquesitice ter disparado e um radar vermelho começar vivamente a girar na minha mente e a gritar: "isto não é para ti!".

 

acontece que o intestino masculino cá da casa, como que por acaso, viu esta receita pela mesma altura, experimentou, fez aqui para este intestino esquisito que - assim que cheirou a dita cuja - não lhe conseguiu resistir... sim, o aroma era o de um belo leite-crème. E sim, o tal "Leite Dourado" (por mais mal que soe) era realmente bom! Bebi tudo até ao fim e ainda lambi as beiças!

 

Mas afinal, o que é isto do Golden Milk?

 

Favorece a memória e o humor, reforça o sistema imunitário, ajuda na perder de peso e a dormir melhor, fortalece as defesas do organismo e... tem curcuma, o "tempero da vida" com super-poderes anti-inflamatórios e antioxidantes!


Dizem as más línguas que é uma das tendências de 2018! O Golden Milk é uma bebida de origem ayurvédica, com vastos benefícios para a saúde. Para além do mais, e quanto a mim, é daqueles manjares que aconchegam a alma!

 

A sua preparação não podia ser mais fácil e tem, como base, uma bebida vegetal (eu uso leite de arroz, mas pode ser outro), u (açafrão-da-terra) - responsável pela cor e, consequente nome do dito cujo - e outras especiarias. 

 

RECEITA

Ingredientes

  • Leite vegetal
  • Duas colheres de chá de u
  • Uma pitada de pimenta preta
  • Canela
  • Gengibre (coloco ralado)
  • Cardamomo
  • Cravinho

Preparação
Colocar todos os ingredientes num tachinho e mexer até se misturarem.
No fim, polvilhar com a canela.

 

 

 

 

34 semanas cheias de peso

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Foi-me dito para me preparar para um bebé prematuro... assim o fiz. Juntamente com essa info, foi-me sugerido que estivesse mentalizada para uma série de outras peripécias pelas quais não vale a pena debruçar-me. Dei-lhes a importância que lhes era merecida: nenhuma. Não me permiti potenciar algo que ainda não existia. Aprendi a paciência e um pouco mais sobre confiança.

 

Hoje, às 34 semanas, pude retirar da minha mala maternidade SOS (a que tem apenas a primeira roupa, exames, umas fraldas e a máquina fotográfica) as fraldas para bebés até aos 2,5 Kg. O meu já está acima, pelo que já não preciso de as ter comigo. É apenas mais um gesto, mais um degrau que é subido em direcção à porta que nos transporta desta aventura para a próxima. Mas é assim que é. Como alguém o diz, é assim que é a "alma a viverem experiência humana". Com possibilidades incríveis de aprendizagem em cada passo que damos, seja ele sentido como melhor ou pior.

'Tou ca neura...

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 Eu sei, eu sei: estar tanto tempo sem escrever nada e, de repente, lançar um artigo sobre a neura... é no mínimo irritante. Mas é isso que nós somos por aqui: uma pessoa com um intestino irritado: por isso, podemos.

 

Hoje acordámos assim: em dia de neura absoluta. Veio de madrugada, tenho a certeza, quando tive de me levantar 3 vezes para fazer xixi (apesar das dores horríveis no raio dos ossos da bacia). Numa delas, nem me lembro bem de como cheguei ao WC - apenas me lembro do alívio que foi. Enfim, de manhã lá nos levantámos para começar o dia: eu, o intestino e a barriga de 8 meses. Percebemos logo o que estava para vir quando nos sentimos a arrastar pelo corredor, tivemos de pedir licença ao braço para mexer a mão e até fazer o pequeno-almoço foi um sacrifício (valha-nos a fome que era negra). Seguiu-me o ter de trabalhar com o cérebro a 10 à hora e um almoço tardio e preguiçoso... depois, tivemos mesmmooo de sair e lá fomos. Passou-nos pela cabeça chamar um táxi (afinal, estamos com a neura), mas ignorámos essa ideia. 

 

Pensei que o que se seguia iria melhorar o nosso mindset, uma vez que estávamos a ser obrigados a ter alguma acção, mas estava enganada. Fomos a uma consulta, tivemos 2 horas à espera, ficámos com fome (mais xixi), aborrecidos, eu - com os pés inchados, e - para acabar bem a festa - a criatura resolveu não colaborar com a médica pela 4ª vez e virar as costas ao ecografo. Sim, foi literalmente assim. Para além de continuar todo esticado na lateral, ainda decidiu que só ia mostrar a linda coluna vertebral dele à médica. 1 hora depois, saímos da sala de eco como se tivéssemos corrido na maratona (vire-se para aqui, agora para ali, agora salte, agora o pino.....). Fiquei zangada com ele - embora a médica se chamasse Graça, aquilo já não estava a ter piada nenhuma. Agora, temos de lá voltar de novo, daqui a 4 semanas, se ainda conseguir andar por essa altura. 

 

Nada como ir ao shopping afogar as mágoas - com a banda sonora dos PZ a acompanhar-me mentalmente, como uma nuvem negra que pairava sobre mim! Afinal, os fatos de banho ficaram esquecidos na casa da mãe e dava jeito ter um modelito para um SOS dos que tenho tido, onde fico com tanto calor e tão inchada que tenho de ir a correr enfiar-me dentro da água gelada (seja ela da praia ou da piscina). Devo confessar que foi uma ideia triste......... já nada me serve ou parece bem. Fugi do provador a correr e decidi mudar a mira: um vestido comprido que me tape os trambolhos que tenho no lugar de pernas. Nada também. Aiiiiiii. Uns brincos! Solução perfeita (e barata). Nem isso encontrei. Fui até ao McDonald e pensei - só por causa disso - ir comer um hambúrguer e beber uma Coca-cola, mas consegui resistir. Após isto e já sem ideias, vim para casa. Quando cheguei, tive a prova definitiva que o Universo, hoje, estava a conspirar contra mim: não havia lugares! Subi os 5 andares até ao meu lugar de garagem (sim, 5) e... 2 carros bloqueavam a passagem com as suas trombas de Mercedes mal arrumadas. Pensei: vou partir isto tudo mas passo! 

 

Como ainda não me vinguei deste mood feio em que estive o dia todo, vou dizer ao marido que ou faz ele o jantar ou não comemos... talvez até faça uma birra daquelas em que vou bater com os pés no chão. Talvez vá chorar um pouco no banho enquanto sinto pena de mim... de certeza que vai ser a melhor parte deste meu dia! ;)

 

 

Crónicas da Gravidez: à terceira é de vez!

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(continuação)

 

Bem sei que isto, assim dividido, quase parece uma telenovela: onde cada capítulo sai num dia (não digo uma série, pois o assunto não está bem estruturado o suficiente para tal). Contudo, considerei que seria menos maçador assim... e, afinal, são crónicas! 

 

Vou então passar para a melhor parte da história: a conclusão. :)

Após relfexão e ponderamento, decidi avançar com a cirurgia para remover o septo do meu útero. Seria, se tudo corresse bem, uma operação simples, sem cortes externos e podia ir para casa no dia seguinte à mesma. O factor "anestesia" nunca foi algo que me seduzisse e era o que mais me assustava: "vou adormecer assim e acordar como?". Mas, a vontade de uma gravidez promissora e tranquila falava mais alto. A questão: "e se depois de ser operada voltar a abortar?" era algo que, volta e meia, me vinha perturbar a mente. Não obstante, uma coisa de cada vez... 

 

A cirurgia iria acontecer em Fevereiro 2017 e, certamente não era altura para engravidar. Depois de muito resistir à ideia de vir aqui alguém cortar o meu útero por dentro, confesso que me senti muito aliviada com a minha decisão. No entanto, o Universo tem - tantas vezes - surpresas na manga e (teimoso) só faz o que quer!

 

Em Janeiro de 2017, após apenas um pequeno "deslize" - nua noite improvável, uma vez que estava longe (pensava eu) de estar no meu período fértil: alguém decidiu que era altura para vir e (pelos vistos) ficar!

 

As primeiras semanas foram de muito medo e cautela: esperei o momento certo para contar ao pai, marquei médicos (obstetra, clínica geral e endocrinologista), aguardamos para ver como seria. Preparámo-nos para o cenário que nos era já familiar, mas decidi tentar ao máximo encarar esta experiência como se fosse a primeira vez: com entusiasmo e sem medos. Foi... desafiante e nem sempre fui bem sucedida. Às 6 semanas, tive uma grande hemorragia. Vim para casa, dormi, fui às urgências e já conhecia o resto da história. Surpreendentemente, pela primeira vez, a médica disse: temos um coração a bater. Sai de lá mais espantada do que se tivesse tido outra notícia - e uma semente de esperança (pequenina) começou a brotar. 

 

Actualmente, estou grávida de 24 semanas: acabámos de atingir o limiar que indica que - se o bebe nascer agora - já pode ser considerado viável. Isto quer dizer que o farão tudo por ele. 

 

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Gravidez com um útero septado

 

Há muita gente que engravida e consegue ser mãe com úteros septados. É claro que, cada caso é um caso: cada septo é um septo; cada corpo, um corpo. Há senhoras que só descobrem terem um útero septado com 60 anos, depois de terem tido 3 filhos sem uma única complicação.

 

Os riscos iniciais são o facto do feto poder alojar-se junto ao septo - um tecido fibroso que não é irrigado com tudo o que é preciso. Portanto, até às 12 semanas foi esperar que ele se fixasse nas paredes do útero: e não no septo. Foi o que aconteceu desta vez - ao contrário das outras.

 

Tive hemorragias durante 3 meses - sem parar. O lado esquerdo do meu útero encheu-se de sangue que foi sendo drenado durante esse tempo. Não me trouxe dores, apenas alguma preocupação - contudo a médica sossegou-me: o bebé estava bem, era apenas o útero a "limpar".

 

Fui avisada que teria dores. Até agora, tenho cerca de 1 semana de dores mais intensas por mês. A médica avisou-me que, a partir das 28 semanas, poderiam ficar mais fortes e constantes: o bebé vai começar a crescer a sério. 

 

Deveria ter feito a amniocentese, uma vez que um útero septado e cheio de sangue levariam à indicação para o mesmo. Mas os resultados do rastreio vieram todos negativos: safei-me!

 

Avisaram-me que deveria esperar pela chegada do bebé a partir das 30 semanas. Terei tudo pronto e a mala feita nessa altura. Ainda assim, falo com ele todos os dias explicando-lhe que o meu útero é especial (digo-lhe que tem sorte, pois é em forma de coração) e que ele deve crescer forte, saudável, confiante e feliz - e assim ficar aqui aconchegado até, pelo menos, às 36 semanas. Será que vamos conseguir? Repito-lhe, também, que juntos vamos conseguir. Por vezes, tento descomprimir das dores que sinto a chorar. Como digo, aproveito para pôr o choro em dia e ajuda-me a lidar com elas. Enquanto choro como quando tinha 8 anos, vou-lhe dizendo que aquilo não é nada com ele e que é apenas uma forma de eu conseguir superar o desafio.

 

Houve algumas pessoas que não acreditaram que esta gravidez fosse dar certo. Uma delas foi uma familiar próxima, que repetiu que não seria possível ter este bebé e que, mesmo que ele por aqui ficasse até aos 6 meses de gravidez, após esse tempo teria de ser retirado... respeito a opinião alheia e escolho acreditar e moldar a realidade que quero para mim. Se ela vai ser conforme a imagino e a sinto? Não sei... espero que sim. Gostava que todos os que me rodeiam estivessem sintonizados com esta minha vibração. A maioria está, e isso é importante para nós: sentimos o positivismo de quem amamos, a vontade de que tudo corra bem. E isso - estarmos todos a torcer pelo final feliz - é maravilhoso.

 

Tenho ouvido muitas partilhas de gravidezes curiosas, incríveis, improváveis e de bebés "milagre". É, realmente, um mundo em que muito não se explica - e muito acontece. Se quem me está a ler tem algum problema que dificulte a gestação, se alguém vos tirou a esperança, se estão perdidas ou assustadas com alguma situação: espero que este depoimento (embora pouco melódico) vos traga uma centelha de esperança e vos faça acreditar que é possível. Muitas e muitas vezes, é possível e mais fácil do que parece. Confiem, procurem, esqueçam os entraves mentais que vos criaram. E apenas acreditem e confiem na vossa natureza feminina. A nossa mente é poderosa e faz milagres.

Crónicas da Gravidez: Útero septado

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(continuação)

Foi em Janeiro de 2015 que engravidei pela primeira vez. Como estava a tentar ser mãe, lembro-me que registava sempre as datas das minhas menstruações - assim como dos meus períodos férteis. Nessa altura, porém, esqueci-me de anotar. Numa manhã de Fevereiro, acordei indisposta. Bebi um sumo de laranja que me virou ao contrário - fui à Farmácia e comprei medicamentos para a gastrite. Fiquei de cama a beber muito chá preto (sem açúcar): dizem que acalma os espasmos do estômago. No dia seguinte estava fresca e fofa (estranhooo..... passou tão rápido?).

 

Não me recordo do dia da semana, mas sei que tinha ganho um grande projecto/cliente nessa tarde: desci pelo Chiado eufórica, parei para ouvir uns músicos - que tocavam e animavam quem passava com o seu carisma - enquanto sentia o frio na pele da cara. Fui para casa e fomos comer ovos rotos para comemorar a conquista profissional. De repente, pensei: o meu período está atrasado... mas não sei se 3 ou 15 dias. Como tinha sempre um teste de gravidez em casa, quando cheguei - agarrei na última urina do dia (em vez de ser a primeira) e fiz o teste. Já era um acto rotineiro para mim: pegava no "copo do xixi", ia para o WC, embebia o teste no dito cujo, fechava-o, esperava uns minutos e espreitava. Como costumava dar negativo, estava bastante descontraída. Enquanto aguardava, comecei a falar com a minha prima no chat... passaram-se alguns minutos, dei uma olhadela para as barrinhas e, pela primeira vez, vi 2 barrinhas em vez de 1. Devo confessar-vos que a minha reacção não foi a que esperava: o meu coração batia depressa, comecei a chorar como uma Madalena arrependida e pensei "afinal, já não quero". Vim contar ao meu companheiro. Depois do susto, veio o riso. Adormecemos cansados com as emoções do dia. A partir do dia seguinte, veio a euforia! Contámos a toda a gente (esperar?! Mas quem é que aguenta esperar para dar uma notícia destas pela primeira vez?!).

 

Passaram-se 8 semanas e, no dia 2 de Abril, fomos à nossa primeira consulta: uns dias antes da Páscoa.

O coração do bebé não batia: a gravidez era não evolutiva. Agora, era aguardar para que a o corpo tratasse do resto. Caso assim não fosse, tería de passar por uma intervenção para ajudar. Aguardámos, a Natureza fez o seu trabalho poupando-me a mais alguma dor. Senti-me aliviada por voltar ao meu Eu antigo - aquele que conhecia... e triste... não sabia explicar a dor, ou a tristeza. Apenas me sentia cansada como um trapo velho. Ouvimos coisas como: "É normal, mas primeiras gravidezes acontece muito.". Acreditámos e continuámos com a nossa vida. Veio novembro - lembrei-me que era o mês em que iria parir. O pensamento veio e foi, e continuei a minha vida.

 

Em outubro do mesmo ano, engravidei novamente. Íamos para o second round e quase que conseguia ver uma jeitosa desnuda, a passar dentro de uma arena de combate, exibindo um cartaz com o nº 2. Lá fomos nós: marcámos consulta, dissemos apenas "às mães" e tentámos ir com calma. Mais uma vez, às 7 semanas descobrimos que, afinal, não íamos ser pais. Desta vez, tinha meditado muito e pensei que os médicos estavam enganados: que ele era só mais pequeno do que eles acreditavam ser. Contudo o resultado confirmou-se: gravidez não evolutiva, descoberta de um útero septado, valores da tiróide altos e... tentem mais uma vez, que só a partir do 3º aborto é que fazemos um estudo para perceber o que pode ter corrido mal. O quê??? Está tudo louco?

 

Os meses seguintes foram passados a não pensar muito nisto. Afinal, porque queria ser mãe? Será que queria mesmo?

 

Em Dezembro de 2016, depois de consultar vários médicos e de perceber ao certo o que tinha o meu útero (um septo um tanto largo, que o atravessava e o dividia em dois), decidi avançar com a operação. Seria operada em Fevereiro de 2017, por um médico que tinha o mesmo primeiro e último nome que o meu companheiro. Só podia ser um bom presságio, não?

Crónicas da Gravidez: A decisão

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Há muito tempo que quero escrever este texto... na verdade, há mais de 2 anos. Só agora senti ser o momento certo... ou, talvez, só agora tenha tido coragem. É preciso alguma dose de energia para nos darmos - mesmo que através da escrita -, para nos entregarmos.

 

Não que isto seja importante, mas posso dizer que tenho uma "história" associada à minha gravidez. Não considero que, o facto de se "ter uma história" traga mais a esta vivência: contudo, todos gostamos de boas histórias...

 

Engravidei, pela 3ª vez, em Janeiro de 2017 - depois de 3 anos de tentativas e vivências que me ensinaram e moldaram - exactamente no momento em que "não deveria" engravidar. Lá no fundo, acho que sempre soube que seria assim: mas não queria era acreditar.

 

Como acontece com várias mulheres, sempre sonhei ser mãe. Já me perguntei, várias vezes, porquê. O que faz uma criança de 8 anos, adolescente de 16 ou uma pessoa no início da sua idade adulta querer "ser mãe"? O querer cuidar? Curiosidade? Instintos? Ou estigmas sociais?...

 

Em 2012, fui à minha consulta de ginecologia anual e disse à médica, a Dra. Margarida França Martins (também conhecida como Margarida Miguéis), que queria começar a tentar engravidar. Depois de uma conversa sobre ter ovários poliquísticos - onde fiquei a saber que poderia ter dificuldades a engravidar - sai do consultório e já não era a mesma. Comecei a ter um medo irracional de ser mãe. Lembro-me de pensar: "Como vou alimentar a criança? Como é que crianças tomarão conta de outra criança?... ... ...". Atenção, eu sei bem como se alimenta um bebé. Mas, na altura, o meu mindset mudou. E veio o nevoeiro... por muito tempo. Entrei num remoinho de medos e dúvidas, no qual me perguntava se - de facto - quereria mesmo este papel. No meio deste novo estado mental, comecei a tentar engravidar. Sabia que o medo me estava a toldar a razão, mas iria tentar. Lembro-me de desejar ficar grávida "sem querer" (upsss... escorreguei e estou grávida). Obviamente, não estava preparada para ser mãe. E, assim, se passou o primeiro ano: entre tentativas e confusão.

 

(continua...)

Quando penso em ti <3

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Quem és tu, que cresces dentro de mim?

De onde vens? O que já fomos juntos e como seremos agora?

 

Uma gota perdida no vazio;

Uma mão que me tocava, mesmo sem ninguém ver…

Desde quando me segues?

Desde quando teceste estes fios de cristal que caminham do meu coração ao teu?

 

Agora que te transformas em corpo,

pedaço a pedaço, dentro do meu próprio Ser.

 

E quando olharmos um para o outro, o que vamos sentir,

Depois de tanto tempo a vivermos - lado a lado - no desconhecido?

Será que nos vamos apaixonar?...

Será que vai doer de tão puro e fundo que vai ser?…

Será que nos vamos amar para sempre?

 

Hoje sou tua e tu és meu;

Seremos, sempre, tu e eu… a caminhar, juntos, por entre as estrelas.

Ligados, por estas teias que brilham mesmo sem sol,

Mesmo que a milhas de distância,

Mesmo que em dimensões opostas:

dois pontos dourados de cristal,

que ligam os nossos corações.

O Intestino tem um vizinho

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Já por 2 vezes que um inquilino havia batido à porta da senhoria, contudo o Intestino safou-se sempre... até agora.

 

Chegou sem avisar, já bem no fim de Janeiro, e o Intestino ainda teima em ficar amuado! Esta semana, irritou-se a valer com este festival todo, até porque o vizinho tende em ser cada vez mais espaçoso (desconfiamos que o Intestino terá de mudar de apartamento - do 2º para o 4º andar - muito em breve).

 

As queixas têm sido mais que muitas - o novo locatário mexe-se muito e tem a mania que é espaçoso, o vizinho útero anda ansioso, o coração já não pensa nele e está rendido, o cérebro está irreconhecível, todo o sistema linfático inchou de orgulho, a bexiga à beira de um ataque de nervos e nem a comida que lhe dão é a mesma! Todos já sabem que o Intestino é sensível, que tende a ser comichoso e que fica dias a fio carrancudo.

 

Acreditamos que volvidas 13 semanas, mais cedo ou mais tarde, ele se vai habituar!... vamos ver.

Um intestino ZEN - Como tudo começou

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Desde cedo tive interesse em algo mais do que o que me estava a ser explicado. Venho de uma família católica e a minha mãe - e família em geral -, na altura, não falavam em crenças paralelas ou diferentes. Apenas porque não se ouvia falar, não se pensava nisso: havia aceitação, mas ainda não havia abertura de consciência.

 

Nas horas livres, pela mediateca da escola comecei a consultar um livro enorme e ilustrado sobre fenómenos sobrenaturais. Devo confessar que deixavam o intestino um pouco nervoso, mas era mais forte do que eu continuar a ler histórias sobre casas assombradas que tinham, em suas entranhas, cemitérios antigos. Depois, comecei a ler Paulo Coelho. Foi o primeiro autor do género e o que era mais acessível. Lembro-me que o livro "Brida" me balançou particularmente. A seguir, foi Brian Weiss... "Só o Amor é Real" foi devorado em 3 horas, enquanto era suposto estar a estudar para o exame de Português.

 

Só mais tarde, o intestino foi para a faculdade, é que comecei a integrar algumas experiências que me abriam mais umas portas para um maravilhoso mundo que - até então - apenas conhecia através da leitura. Tenho um caderno que me segue desde então, no qual tenho uma árvore onde gravo o nome (por ordem) de todas as pessoas que me ensinaram algo, me inspiraram e guiaram neste mundo maravilhoso em que estudamos a nossa Energia, a do Universo, as terapias alternativas,... o primeiro nome dessa lista, é o da Fátima Marques.

 

Conheci a Fátima - e, com ela, os conceitos de Constelações Familiares e Massagem Biodinâmica - em 2003. Foram as minhas primeiras formações ou workshops em "algo novo". Fiz terapia com ela, e ainda hoje não nos lembramos ao certo de como ou porque é que parámos os nossos encontros da altura. Abaixo um texto que escrevi após um workshop dela chamado "Relações que curam":

 

“A sua tarefa não é procurar pelo Amor, mas meramente procurar e encontrar todas as barreiras dentro de si que construiu contra ele.”, Rumi

 

Relações que curam

Como é que interagem duas pessoas? E como se conseguem relacionar? Será que estamos abertos a uma mudança e a uma cura interior? Em relação à nossa vida, podemos ter dois tipos de atitude: de aproximação ou de evitamento. Quando seguimos o caminho do evitamento, deve-se ao facto de termos tido uma ou mais experiências difíceis no nossa vida e ao facto de termos medo que voltem a acontecer, fazendo com que as evitemos de forma inconsciente. A nossa energia fica ocupada em evitar todo o mal que nos possa acontecer e não em procurar o que nos possa fazer feliz. Com esta abordagem, nós não vivemos, sobrevivemos.

 

É importante sobreviver! O que é perigoso é habituarmos-nos a este meio de subsistência e continuarmos a comportar-nos como nestas alturas de maior mágoa e sofrimento como se ela fizesse parte do presente e não apenas do passado. Os nossos níveis de stress e de ansiedade mantêm-se, condicionando a nossa independência e as nossas liberdades de escolha. Transformamos-nos no elefante do circo que em adulto não foge devido a ter sido preso a uma estaca pesada em pequeno. Apesar de todo o esforço, o elefante bebé não se conseguia libertar. A estaca era muito pesada para ele. Em adulto, devido a esta experiência, o elefante não se solta mesmo que esteja preso a uma estaca muito pequena por acreditar que não pode. A esta atitude, a Psicologia Positiva chama de Desamparo Aprendido. Assim é grande parte do ser Humano que ao fim de ter sido impotente para fugir durante muito tempo, aceita o "sempre foi assim e sempre o será". Isto faz com que não nos apercebamos da mudança das circunstancias na nossa vida.

 

Passamos muitos anos a tentar ser diferentes daquilo que realmente somos, para encaixar no nosso espaço circundante. Queremos ser melhores e/ou perfeitos, tornando-se necessário a procura de ajuda para nos conseguirmos libertar das orientações exteriores que nos foram embutidas desde a infância. Para que consigamos recuperar a nossa própria orientação, aquela que se adequa a nós e nos levará a uma vida plena e autónoma.

 

A divisão entre a nossa parte boa e má, foi aprendida através das reacções dos outros, através do olhar dos outros. Daí que a solução também esteja no olhar dos outros para que consigamos esta aceitação: “onde esteve o dano, encontramos a cura”.

Aprendemos a amar com os nossos pais e eles com os deles. Mas será que eles eram capazes de amar incondicionalmente? É que este é o único tipo de amor, uma vez que o amor condicional, não é amor. Será que aquilo que aprendemos a chamar amor, é realmente amor? Quantas vezes a repressão não foi feita em seu nome? Quantas vezes o amor não vem misturado com dor, incompreensão e violência? Mas esses não fazem parte do amor. Vieram em conjunto mas não são a mesma coisa. Quando nos habituamos a chamar a esse conjunto amor, inevitavelmente aprendemos a ter medo de amar. Não queremos ser magoados outra vez, associamos o amor à humilhação e à dependência.

 

Na nossa vivência, estamos tão envolvidos na nossa própria historia, no nosso “eu”, que muitas vezes não conseguimos dar ao outro aquilo de que ele precisa, nem receber dele aquilo que precisamos. Podemos reaprender a experienciar um estado de ressonância com o outro, em que o vemos e o aceitamos, o sentimos, tal como ele é, e somos vistos e aceites como realmente somos. Este é um estado de amor adulto e autónomo, liberto de condicionamentos. Para algumas pessoas, poderá ser totalmente novo!

 

 

Saiba mais sobre a Fátima Marques, aqui.

 

Chamem a parteira!

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Descobri-a ontem pela Netflix - enquanto por lá deambulava melancolicamente e pensava no que iria ver a seguir. A aguardar que algumas das minhas séries de eleição recomecem, deparei-me com uma imagem que me chamou à atenção. O título da série: Chamem a parteira! Pouco atractivo, confesso, mas algumas pontas soltas revelavam que o trama poderia ser o de uma série de época e fui espreitar... E era! Fiquei logo rendida no primeiro episódio!

 

Ainda não tinha encontrada uma substituta deste género, que me aconchegasse tanto quando uma bela tarde de Downton Abbey. :)