Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Ordem de despejo :: Para o bebé, do intestino

intestino_bebe.jpg

Foi numa segunda ao final da tarde: já estava de malas preparadas, mas não esperava ter de sair tão cedo. Tocaram à campainha. Primeiro uma vez, e outra... insistiram... a porta foi arrombada no exacto momento em que ele se preparava para descansar. A luz entrou: um clarão invadiu todo o seu espaço e o tempo parou. Se lhe perguntarem, responderá que apenas permanecem na sua memória fragmentos que navegam em câmara lenta à frente dos seus olhos: a água a desaparecer num turbilhão... um susto... uma mão... um puxão... luz, muita luz... um ambiente diferente: ar... aqueles sons... todo aquele brilho... o medo... o corpo a ser empurrado e manipulado... a voz dela de novo (parecia diferente agora)... finalmente, a sua pele... um tecido quente na sua boca... aconchego... e de novo solidão. Onde estaria? Deixou-se de novo ir. Quando acordou, o mamilo quente na sua boca: a segurança, aquela sensação de paz... E de novo o nada.

 

E assim foi durante uns tempos. Depois da ordem de despejo, ele ia e vinha - por entre escassos momentos de alguma presença e lucidez. Ela concentrava-se para se adaptar e cuidar dele o melhor possível. Visitas... muitas visitas. Vozes, toques, risos, sons agudos, cheiros. Que mundo seria este? Enquanto ela lá estivesse, tudo poderia funcionar mais ou menos bem. Que mundo novo seria este? Aquele ser pequenino, magro, enrugado que dependia dela? Seria normal? Se calhar não era e ninguém tinha coragem de lho dizer. Parecia estranho... estaria doente? O que estaria a sentir? Ela não sentia grande coisa... seria normal? Não era que não gostasse dele: já era impossível pensar na sua vida sem ele ao seu lado. Mas não estava apaixonada. Não o achava extremamente belo. Não tinha ficado emocionada e o seu coração... continuava igual - ainda não tinha derretido de Amor. 

 

---------------------------------------------------

 

O meu filho nasceu às 21:22 de uma segunda-feira, de cesariana. Não era o parto sonhado (será que não? A verdade é que morria de medo de pensar que um bebé ia passar pelo meu canal vaginal e sair... enfim... por aquele buraquinho que não parecia ser assim tão grande!), mas era o esperado: ele estava sentado e não ia dar a volta. Na consulta daquele dia, com 37 semanas, a minha tensão estava alta e ele tinha de nascer. Internamente, expliquei-lhe o que ia acontecer: tinha a secreta esperança que ele recebesse a mensagem e que o momento se tornasse menos assustador. Não há partos certos e errados. No percurso, aceitei que não era menos mãe, menos mulher por ter tido uma cesariana.

 

Tudo correu extremamente bem: sem dor, sem reacções a anestesias, sem percalços. Ele nasceu: era mesmo um bebé que tinha na barriga. Fiquei incrédula! ;) Contudo, estava tão focada em manter o meu equilíbrio interno, que só depois de 6 meses consegui categorizar o meu parto como um dos momentos mais impressionantes e marcantes da minha vida. Antes disso, apenas flutuava sobre as lembranças dos acontecimentos. Também posso partilhar que - apesar de ter amado o meu filho desde o primeiro momento - só me apaixonei por ele 2 meses depois. Ou terão sido 3?... Precisei de tempo para voltar a mim. Para integrar. É mesmo assim: respeito todo o meu sentir e agir.

 

Agora, no dia em que ele faz X meses de nascimento, conecto-me com aquele rápido momento. Revivo. Sinto. Permito-me.

Por vezes, olho para ele e ainda me pergunto: "Estás aqui?!". 

 

Para mim, os 4 primeiros meses foram muito desafiantes. Foram estranhos, confusos. Depois, ele começou a florescer e - com ele - o meu coração também. Estou a viver cada gota deste aprendizado: adoro passar pelas novas etapas com ele. Não é só o seu primeiro sorriso, o seu primeiro Natal, a sua primeira sopa. É a NOSSA. Eu, enquanto mãe. Gosto de me informar, ter escolha, testar, errar, voltar a tentar, sentir, viver. É um momento glorioso e que quero sereno. Há muita gente que não respeita esse momento e vivência única e mágica e que acha que temos de nos circundar de regras alheias e que não nos dizem nada. Isso retira algum brilho ao momento: desgasta. Mas, ainda assim, é maravilhosa toda a partilha que temos em família. É uma jornada incrível, que acaba de começar e que desejo longa. Não preciso de mais nada... <3

Latte de Camomila e Lavanda

Calming-Chamomile-Lavender-Latte-13.jpg

 

O Golden Milk abriu portas e agora não queremos outra coisa: experimentar bebidinhas quentes e aconchegantes! É à noite, quando tudo está silencioso, é a altura perfeita para se fazer esta receita!

 

Desde pequenos que ouvimos dizer que o leite quente ajuda a dormir (embora para o intestino irritável – e estômago – seja uma receita que não pode ser um hábito), e esta mistura seria o próximo passo. A camomila é usada desde há séculos para ajudar a relaxar e acalmar estômago e intestinos, sendo um anti-inflamatório natural. A lavanda tem já um conhecido desempenho na história do relaxamento e alívio do stress.

 

Com um pouco de mel para adoçar este néctar, um golo desta bebida promete ajudar-nos a esquecer todos os problemas do nosso dia! Bom... vou deixar de empatar e passar à partilha da receita. ;)

 

Ingredientes:

450gr de leite (sem lactose)
1 colher de sopa de flor de camomila seca
2 colheres de chá de lavanda seca
1 ou 2 colheres de chá de mel
¼ de uma colher de chá de extracto de baunilha

 

Instruções:

Aquecer o leite num tacho até estar quente (sem ferver)
Adicionar a camomila e a lavanda e deixar ferver
Baixar o lume e deixar a infusão ferver entre 5 e 10 min
Coar a mistura para uma caneca
Adoçar com mel e adicionar o extracto de baunilha

 

Fonte: https://helloglow.co

Golden Milk

28947733_10210985009810533_2038097905684710139_o.j

 

Alguém nos disse: "Ah e tal, devias experimentar, é bom e como é fácil de fazer, deve dar para ti."

 

O quê? Uma bebida com pimenta, açafrão - ai, peço desculpa, "curcuma", que açafrão é caro como um raio - e uma série de especiarias que servem para condimentar pratos salgados?... vá... está bem... só há 2 especiarias, na receita, que servem para pratos salgados, mas ainda assim basta para o meu alerta esquesitice ter disparado e um radar vermelho começar vivamente a girar na minha mente e a gritar: "isto não é para ti!".

 

acontece que o intestino masculino cá da casa, como que por acaso, viu esta receita pela mesma altura, experimentou, fez aqui para este intestino esquisito que - assim que cheirou a dita cuja - não lhe conseguiu resistir... sim, o aroma era o de um belo leite-crème. E sim, o tal "Leite Dourado" (por mais mal que soe) era realmente bom! Bebi tudo até ao fim e ainda lambi as beiças!

 

Mas afinal, o que é isto do Golden Milk?

 

Favorece a memória e o humor, reforça o sistema imunitário, ajuda na perder de peso e a dormir melhor, fortalece as defesas do organismo e... tem curcuma, o "tempero da vida" com super-poderes anti-inflamatórios e antioxidantes!


Dizem as más línguas que é uma das tendências de 2018! O Golden Milk é uma bebida de origem ayurvédica, com vastos benefícios para a saúde. Para além do mais, e quanto a mim, é daqueles manjares que aconchegam a alma!

 

A sua preparação não podia ser mais fácil e tem, como base, uma bebida vegetal (eu uso leite de arroz, mas pode ser outro), u (açafrão-da-terra) - responsável pela cor e, consequente nome do dito cujo - e outras especiarias. 

 

RECEITA

Ingredientes

  • Leite vegetal
  • Duas colheres de chá de u
  • Uma pitada de pimenta preta
  • Canela
  • Gengibre (coloco ralado)
  • Cardamomo
  • Cravinho

Preparação
Colocar todos os ingredientes num tachinho e mexer até se misturarem.
No fim, polvilhar com a canela.

 

 

 

 

34 semanas cheias de peso

FullSizeRender.jpg

Foi-me dito para me preparar para um bebé prematuro... assim o fiz. Juntamente com essa info, foi-me sugerido que estivesse mentalizada para uma série de outras peripécias pelas quais não vale a pena debruçar-me. Dei-lhes a importância que lhes era merecida: nenhuma. Não me permiti potenciar algo que ainda não existia. Aprendi a paciência e um pouco mais sobre confiança.

 

Hoje, às 34 semanas, pude retirar da minha mala maternidade SOS (a que tem apenas a primeira roupa, exames, umas fraldas e a máquina fotográfica) as fraldas para bebés até aos 2,5 Kg. O meu já está acima, pelo que já não preciso de as ter comigo. É apenas mais um gesto, mais um degrau que é subido em direcção à porta que nos transporta desta aventura para a próxima. Mas é assim que é. Como alguém o diz, é assim que é a "alma a viverem experiência humana". Com possibilidades incríveis de aprendizagem em cada passo que damos, seja ele sentido como melhor ou pior.

'Tou ca neura...

neura.png

 Eu sei, eu sei: estar tanto tempo sem escrever nada e, de repente, lançar um artigo sobre a neura... é no mínimo irritante. Mas é isso que nós somos por aqui: uma pessoa com um intestino irritado: por isso, podemos.

 

Hoje acordámos assim: em dia de neura absoluta. Veio de madrugada, tenho a certeza, quando tive de me levantar 3 vezes para fazer xixi (apesar das dores horríveis no raio dos ossos da bacia). Numa delas, nem me lembro bem de como cheguei ao WC - apenas me lembro do alívio que foi. Enfim, de manhã lá nos levantámos para começar o dia: eu, o intestino e a barriga de 8 meses. Percebemos logo o que estava para vir quando nos sentimos a arrastar pelo corredor, tivemos de pedir licença ao braço para mexer a mão e até fazer o pequeno-almoço foi um sacrifício (valha-nos a fome que era negra). Seguiu-me o ter de trabalhar com o cérebro a 10 à hora e um almoço tardio e preguiçoso... depois, tivemos mesmmooo de sair e lá fomos. Passou-nos pela cabeça chamar um táxi (afinal, estamos com a neura), mas ignorámos essa ideia. 

 

Pensei que o que se seguia iria melhorar o nosso mindset, uma vez que estávamos a ser obrigados a ter alguma acção, mas estava enganada. Fomos a uma consulta, tivemos 2 horas à espera, ficámos com fome (mais xixi), aborrecidos, eu - com os pés inchados, e - para acabar bem a festa - a criatura resolveu não colaborar com a médica pela 4ª vez e virar as costas ao ecografo. Sim, foi literalmente assim. Para além de continuar todo esticado na lateral, ainda decidiu que só ia mostrar a linda coluna vertebral dele à médica. 1 hora depois, saímos da sala de eco como se tivéssemos corrido na maratona (vire-se para aqui, agora para ali, agora salte, agora o pino.....). Fiquei zangada com ele - embora a médica se chamasse Graça, aquilo já não estava a ter piada nenhuma. Agora, temos de lá voltar de novo, daqui a 4 semanas, se ainda conseguir andar por essa altura. 

 

Nada como ir ao shopping afogar as mágoas - com a banda sonora dos PZ a acompanhar-me mentalmente, como uma nuvem negra que pairava sobre mim! Afinal, os fatos de banho ficaram esquecidos na casa da mãe e dava jeito ter um modelito para um SOS dos que tenho tido, onde fico com tanto calor e tão inchada que tenho de ir a correr enfiar-me dentro da água gelada (seja ela da praia ou da piscina). Devo confessar que foi uma ideia triste......... já nada me serve ou parece bem. Fugi do provador a correr e decidi mudar a mira: um vestido comprido que me tape os trambolhos que tenho no lugar de pernas. Nada também. Aiiiiiii. Uns brincos! Solução perfeita (e barata). Nem isso encontrei. Fui até ao McDonald e pensei - só por causa disso - ir comer um hambúrguer e beber uma Coca-cola, mas consegui resistir. Após isto e já sem ideias, vim para casa. Quando cheguei, tive a prova definitiva que o Universo, hoje, estava a conspirar contra mim: não havia lugares! Subi os 5 andares até ao meu lugar de garagem (sim, 5) e... 2 carros bloqueavam a passagem com as suas trombas de Mercedes mal arrumadas. Pensei: vou partir isto tudo mas passo! 

 

Como ainda não me vinguei deste mood feio em que estive o dia todo, vou dizer ao marido que ou faz ele o jantar ou não comemos... talvez até faça uma birra daquelas em que vou bater com os pés no chão. Talvez vá chorar um pouco no banho enquanto sinto pena de mim... de certeza que vai ser a melhor parte deste meu dia! ;)

 

 

Crónicas da Gravidez: A decisão

intestino_gravidez1.png

 

Há muito tempo que quero escrever este texto... na verdade, há mais de 2 anos. Só agora senti ser o momento certo... ou, talvez, só agora tenha tido coragem. É preciso alguma dose de energia para nos darmos - mesmo que através da escrita -, para nos entregarmos.

 

Não que isto seja importante, mas posso dizer que tenho uma "história" associada à minha gravidez. Não considero que, o facto de se "ter uma história" traga mais a esta vivência: contudo, todos gostamos de boas histórias...

 

Engravidei, pela 3ª vez, em Janeiro de 2017 - depois de 3 anos de tentativas e vivências que me ensinaram e moldaram - exactamente no momento em que "não deveria" engravidar. Lá no fundo, acho que sempre soube que seria assim: mas não queria era acreditar.

 

Como acontece com várias mulheres, sempre sonhei ser mãe. Já me perguntei, várias vezes, porquê. O que faz uma criança de 8 anos, adolescente de 16 ou uma pessoa no início da sua idade adulta querer "ser mãe"? O querer cuidar? Curiosidade? Instintos? Ou estigmas sociais?...

 

Em 2012, fui à minha consulta de ginecologia anual e disse à médica, a Dra. Margarida França Martins (também conhecida como Margarida Miguéis), que queria começar a tentar engravidar. Depois de uma conversa sobre ter ovários poliquísticos - onde fiquei a saber que poderia ter dificuldades a engravidar - sai do consultório e já não era a mesma. Comecei a ter um medo irracional de ser mãe. Lembro-me de pensar: "Como vou alimentar a criança? Como é que crianças tomarão conta de outra criança?... ... ...". Atenção, eu sei bem como se alimenta um bebé. Mas, na altura, o meu mindset mudou. E veio o nevoeiro... por muito tempo. Entrei num remoinho de medos e dúvidas, no qual me perguntava se - de facto - quereria mesmo este papel. No meio deste novo estado mental, comecei a tentar engravidar. Sabia que o medo me estava a toldar a razão, mas iria tentar. Lembro-me de desejar ficar grávida "sem querer" (upsss... escorreguei e estou grávida). Obviamente, não estava preparada para ser mãe. E, assim, se passou o primeiro ano: entre tentativas e confusão.

 

(continua...)

O Intestino tem um vizinho

cronicas_bebe_intestino.jpg

Já por 2 vezes que um inquilino havia batido à porta da senhoria, contudo o Intestino safou-se sempre... até agora.

 

Chegou sem avisar, já bem no fim de Janeiro, e o Intestino ainda teima em ficar amuado! Esta semana, irritou-se a valer com este festival todo, até porque o vizinho tende em ser cada vez mais espaçoso (desconfiamos que o Intestino terá de mudar de apartamento - do 2º para o 4º andar - muito em breve).

 

As queixas têm sido mais que muitas - o novo locatário mexe-se muito e tem a mania que é espaçoso, o vizinho útero anda ansioso, o coração já não pensa nele e está rendido, o cérebro está irreconhecível, todo o sistema linfático inchou de orgulho, a bexiga à beira de um ataque de nervos e nem a comida que lhe dão é a mesma! Todos já sabem que o Intestino é sensível, que tende a ser comichoso e que fica dias a fio carrancudo.

 

Acreditamos que volvidas 13 semanas, mais cedo ou mais tarde, ele se vai habituar!... vamos ver.

Um espelho ao contrário

 

Hoje, ao assistir ao filme "HUMAN Extended", muita coisa me passou pela mente... contudo, decidi começar a escrever quando acabei de assistir ao "capítulo" referente ao trabalho. Enquanto ouvia aqueles depoimentos de pessoas, enquanto olhava para os seus olhos, cabelos, lábios... pensava no quanto as sociedades modernas - eu, nós - fizemos a coisa de uma forma torta. Por muitos motivos, na certa, mas de repente pensei: "Passo a vida nas Redes Sociais, a querer seguir exemplo de pessoas que obtiveram - o que considero ser o sucesso - nas suas vidas, desejo espelhar-me nelas, nas aparente felicidade e triunfo delas (que deve estar longe da realidade - apenas somos, na WEB, o que queremos parecer) e esqueço-me da grande maioria da população mundial. Porque não me espelho na pessoa que toda a vida trabalha de manhã à noite para conseguir viver, tem um trabalho duro, e viverá pobre toda a sua vida? Porque não oiço histórias reais e percebo que a vida são batalhas, desafios e aprendizagens e não estrelato? Porque me esqueço que o crescimento não acontece sem superação? 

 

Eu acredito que no Universo tudo tem um propósito e, por isso, consigo aceitar que a evolução da nossa sociedade acontece assim por algum motivo que me pode transcender. Mas, algumas vezes, a minha mente humana questiona: num mundo onde a proximidade física e online devia estancar a solidão, porque a solidão nos contaminou? O que aconteceu connosco para nos sentirmos sós no meio de tanta gente que nos rodeia? Numa era de informação, como é que o diálogo e criando estranhos que vivem dentro da mesma casa? Com uma ciência que nos explica que todos somos compostos por células, que tomos temos uma mente brilhante, que todos somos feitos do mesmo - quando perdemos o sentido de espécie e começámos a nos dividir, discriminar e combater?

 

Apesar destas questões, sinto que chegámos a um tempo de ruptura e caminhamos para o mundo onde a maioria dos seres humanos estão a conseguir quebrar estes padrões comportamentais: sentindo o respeito pelo outro e dignificando o Amor como base de tudo. Eu ainda não sou totalmente assim - não quero com esta exposição ser hipócrita ou apontar dedos. Apenas quis partilhar convosco alguns fluxos pensantes que transitam pela minha mente e coração. <3 Alegro-me por imaginar essa Nova Era. <3

Dia Ganho!

shutterstock_401876791.jpg

Dia ganho!

Não só por ter acordado ao lado de uma alma linda que amo; não só por ter tido o meu gato a dar-me mimos de "bom dia"; não só pelo sol brilhar; não apenas pelo meu corpo vibrar saudável,... ... mas porque hoje foi dia de enfrentar medos! Foi um dia de sucesso pessoal, de empoderamento interior, de crença, de esperança. 

 

Decidi deitar a minha vasta e antiga caderneta de cromos onde coleccionava os meus medos, os guardava e apaparicava todos os dias, fora. Dizem que decidir e querer é o primeiro passo... EU QUERO. E assim vou fazer e tentar todos os dias, até eles desaparecerem (pelo menos os esquisitóides pouco normais e saudáveis). Por agora, estou de coração cheio. Mas, esta semana, haverá mais. O pânico vai tentar dissuadir-me. A minha mente vai fazer um malabarismo de truques. E eu vou ignorá-los e seguir em frente. Sei que haverão vezes em que vai ser fácil, outras mais desafiantes... sei que acontecerá ter vontade de fugir e até, naquele dia e momento, fugir. Vou aceitar tudo isso e esforçar-me ao máximo. Só por hoje, é seguro não ter medo. ;)

Quando o intestino entra em pânico

panico_intestino.png

 Hoje estou aqui para vos falar de Pânico. Há tanto que vos quero contar e que nem sempre partilho por não saber nem como começar! A vida só faz sentido se for preenchida por coisas boas, alegres, positivas e que nos fazem vibrar. Contudo, a nossa condição de humanos e os desafios que nos são impostos e nos fazem crescer, são uma realidade. Desta forma, acho importante partilhar alguns dos meus desafios de vida e condição humana. Uma das várias vantagens desta rede global que é a Web é o facto de podermos estar ligados em partilha, de podermos estudar e trocar experiências - de chegarmos de forma incondicional aos outros. Há conforto e sentimento de companhia quando isso acontece. E isso é importante.

 

Comecei a ter ataques de pânico em 2003. Um dia, sai da faculdade - em Lisboa - e senti-me mal perto de uma paragem de autocarro. Muito mal. Consegui voltar à portaria da faculdade e pedir ajuda antes de desmaiar. Uma intoxicação alimentar começava a manifestar-se. Os porteiros ajudaram-me, deram-me água e ficaram comigo até conseguir voltar a erguer-me. Quando isso aconteceu, deram-me a escolher: ou chamavam uma ambulância e eu ia para o hospital, ou eu seguia viagem. Escolhi a segunda opção - tudo o que não queria era, no meu 1º ano de faculdade, dar nas vistas com uma ambulância a apitar para me ir buscar (e depois ter de enfrentar o hospital sozinha e por um tempo que podia prever-se longo). Sai da portaria e não me sentia nada bem - fui até ao interior da FCSH e deitei-me num banco. Adormeci. As minhas colegas ou possíveis conhecidos já tinham saído e tinha de me desenrascar sozinha. Estava com receio de me sentir mal no táxi. Contudo, era a opção mais viável para chegar a casa (felizmente tinha dinheiro para chamar um táxi) e assim foi. A viagem correu bem, fui à farmácia para ser medicada, passei mal uns dias e pronto. Passados 2 dias estava pronta para voltar às aulas e sai de casa. Fui até à paragem do autocarro, esperei, ele chegou, entrei. E foi aí que começou... comecei a sentir-me muito mal, com falta de ar, certa de que ia desmaiar ou vomitar ou tudo ao mesmo tempo. Sufocar. Sai na paragem a seguir e voltei para casa o mais rápido que consegui. Quando entrei no meu porto seguro, o mal-estar passou. Tentei várias vezes ir para a escola: mas nunca conseguia. As sensações foram-se rebuscando apoiadas pela imaginação. Agora, em acrescento ao que descrevi acima, "ficava" com uma infecção urinária super-sónica (chegava à velocidade da luz e sumia-se assim que entrava em casa). Comecei a estudar em casa, não contei nada a ninguém - até porque nem eu sabia bem o que raio era aquilo. Tinha a sorte de não ter faltas na minha faculdade e assim foi. A coisa complicou-se quando percebi que também não conseguia sair à noite, ir ao cinema, entre outras coisas. Actividades com outras pessoas - mesmo que amigas - era complicado: não queria que me vissem a surtar e fugir desvairada por conta da minha imaginação. Sozinha, como podia fugir, conseguia. 

 

Se a mente engana o nosso emocional, nós podemos também enganar a mente. Consegui começar a arranjar truques. Não era perfeito, mas já ajudava. Percebi que, se o sítio onde fosse tivesse um WC onde me pudesse barricar, ter a minha "psicose", acalmar-me e sair quando bem entendesse - eu conseguia lá estar. O WC deveria, de preferência, ter várias cabines para não sentir pressão de que tinha de sair dali rapidamente. Isto foi como começou...

 

Os ataques de pânico, baseados na minha experiência pessoal (nunca estudei o assunto) vão e vêm por fases. Também se refinaram e a minha imaginação fértil aproveitou o assunto para os deixar mais criativos na sua expressão: têm vários temas e circunstâncias. Começaram apenas com sensações físicas, mas a imaginação depressa entra em cena e - se deixarmos - alimenta cenários de medo e insegurança: quase sempre trágicos. Depois de experienciares alguns ataques de pânico, começa algo que nos consome: o medo do medo. Já não tens só medo do pânico, tens medo de ter medo e, consequentemente, tens realmente muito medo e grandes níveis de ansiedade.

 

Depois de muito reflectir sobre isto, penso que os meus ataques de pânico estão relacionados com o medo da dor e da insegurança; a descoberta de que sou humana e, portanto, falível e frágil; e, claro, a percepção do risco que é a vida e da morte. Isto porque o quadro que eu pintava de todas as premissas acima, era inaceitável e terrível.

 

Uma vez li, num livro de Augusto Cury, o seguinte:

o ser humano acede à sua memória através de janelas específicas e o seu maior desafio é abrir o máximo de janelas saudáveis, ou light, para dar respostas inteligentes. Os ataques de pânico são registados pelo cérebro de forma traumática, criando janelas killer. Estas janelas bloqueiam o processo de leitura de milhares de outras janelas saudáveis contraindo, assim, a sua racionalidade. Preso numa janela killer, tornamo-nos irracionais. Desta forma, encarceramos a nossa capacidade de escolha e realimentamos as crises de pânico. Freud acreditava que o trauma original era o grande problema, mas, na realidade, é a retroalimentação que nos adoece. Estas janelas killer são traumas marcantes produzidas por estímulos profundamente stressantes como a traição, as perdas ou a humilhação pública.

 

Fim de ano e um nó no Intestino

shutterstock_277674878.jpg

 

O fim dos anos são sempre muito complicados para nós (eu mesma e para o intestino também!): esta sensação de algo inacabado, prestes a acabar - na qual tudo fica em suspenso - deixa-nos meio loucos. 

 

Em todos os fins de ano, normalmente 1 mês antes, começamos sempre com esta sensação sufocante de que tudo fica em suspenso. Invade-nos uma vontade que tudo acabe logo para depressa vir um novo ano - como quando o dia começa depois de uma noite bem escura e longa. É como estar debaixo do mar e poder, por fim, chegar à superfície e respirar. Nem sempre este sentimento tem razão de ser - por vezes apenas lá está. Mas este ano, para além de ter começado mais cedo, todas as semanas acontecem pequenas coisas. Umas marretadas na cabeça que nos vão enterrando aos poucos na lama fria.

 

Penso que a isto se chame vida: ao mesmo tempo que é insuportável e sufocante - é maravilhoso assistir à sua sabedoria, pois ela não faz nada em vão. E quando assistimos às causas sabendo os porquês, tudo ganha uma nova dimensão e é como se um nós se desfizesse numa alegre dança de luzes.

Intestino no Feminino

intestinoirritavel.jpg

 

Acredito que a nossa caminhada nesta jornada é feita de etapas - e que cada etapa tem um ou mais temas de aprendizagem associados. Para mim, desde uma determinada tomada de consciência, estes revelam-se bastante claros. Quando assim o é, é vital ficarmos atentos ao mesmo e percebermos o que é que ele nos sussurra ao ouvido - que dança quer ter connosco. É uma chamada de atenção para aprofundarmos o nosso conhecimento sobre o assunto, ou é apenas para trabalharmos a temática em nós mesmos? É para mudarmos a nossa forma de estar relativamente ao que nos é proposto? Estamos em ponto de viragem e mudança - relativamente a esse assunto? Ou aquele tema surge porque estamos a mudar alicerces e ele vem confirmar esse trabalho?

 

Neste momento, estou a trabalhar, pelo menos, 2 grandes temas e há um - ao qual não estava a dar tanta importância assim, que tem vindo a acenar-me com mais euforia a cada semana que passa: o do ciclo feminino. A escuta activa do corpo feminino para uma jornada mensal mais plena, consciente, frutífera e equilibrada.

 

Sempre fui daquelas pessoas que não escuta o seu corpo tanto quanto podia, sendo que sabia a data da menstruação e a data em que ela deveria vir. Parecia o bastante. Depois do meu percurso durante este ano, e sendo que ando a trabalhar o meu útero mais activamente nos últimos 2 meses, escutar mais o meu ser feminino chama por mim a cada dia que passa.

 

2016 foi, decididamente, o ano em que o feminino, a maternidade, o útero e todos os símbolos do que é ser mulher se destacaram. Se houvesse "a Palavra do Ano" no meu universo pessoal: feminino seria, sem dúvida nenhuma, uma das potenciais vencedoras. Imagino na quantidade de mulheres que, como eu (até agora) têm mais do que pensar no que em escutar o seu corpo - o seu "Eu" feminino. Mas desde que fiquei atenta a este tema e o comecei a sentir em mim, há coisas engraçadas que acontecem. Este mês, tenho quase a certeza que senti a minha ovulação. Tenho muitas amigas que a sentem, mas eu nem isso.

 

Esta caminhada que começou mais activamente com a consciência de uma série de problemas no aparelho reprodutor (primeiro foram os ovários poliquísticos, depois o útero que tem um septo), vai-se desenvolvendo como uma brisa que segue a corrente de um rio: leve, solta e fluida. Em Outubro, participei pela primeira vez com sentido e consciência na Bênção do Útero - uma meditação temática planetária que está ligada ao nosso eu feminino.Fiquei a saber que há mulheres que estudam os seus ciclos e os associam às Fases da Lua, tirando daí um conhecimento que elas consideram fundamental. Tomei conhecimento de um projecto interessante: o Tesouro de Lilith, onde li sobre o respeito pelos nossos ciclos:

"O ciclo menstrual proporciona-nos uma grande sabedoria de nós próprias e da natureza que nos rodeia. É muito fácil de entender se observamos as estações!"

 

Enfim, percebi que o meu EU Feminino era importante para saber contar a minha própria história, e crescer dentro dela. Faz parte do nosso rumo, do nosso equilíbrio e que está em nós. É algo importante de ser resgatado como sabedoria interna e ancestral. Que se olharmos para a natureza em busca de inspiração, percebemos que a vida surge a partir de momentos como este com um grande potencial de renascimento - como que uma semente oculta prestes a romper a terra e brotar.