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Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Golden Milk

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Alguém nos disse: "Ah e tal, devias experimentar, é bom e como é fácil de fazer, deve dar para ti."

 

O quê? Uma bebida com pimenta, açafrão - ai, peço desculpa, "curcuma", que açafrão é caro como um raio - e uma série de especiarias que servem para condimentar pratos salgados?... vá... está bem... só há 2 especiarias, na receita, que servem para pratos salgados, mas ainda assim basta para o meu alerta esquesitice ter disparado e um radar vermelho começar vivamente a girar na minha mente e a gritar: "isto não é para ti!".

 

acontece que o intestino masculino cá da casa, como que por acaso, viu esta receita pela mesma altura, experimentou, fez aqui para este intestino esquisito que - assim que cheirou a dita cuja - não lhe conseguiu resistir... sim, o aroma era o de um belo leite-crème. E sim, o tal "Leite Dourado" (por mais mal que soe) era realmente bom! Bebi tudo até ao fim e ainda lambi as beiças!

 

Mas afinal, o que é isto do Golden Milk?

 

Favorece a memória e o humor, reforça o sistema imunitário, ajuda na perder de peso e a dormir melhor, fortalece as defesas do organismo e... tem curcuma, o "tempero da vida" com super-poderes anti-inflamatórios e antioxidantes!


Dizem as más línguas que é uma das tendências de 2018! O Golden Milk é uma bebida de origem ayurvédica, com vastos benefícios para a saúde. Para além do mais, e quanto a mim, é daqueles manjares que aconchegam a alma!

 

A sua preparação não podia ser mais fácil e tem, como base, uma bebida vegetal (eu uso leite de arroz, mas pode ser outro), u (açafrão-da-terra) - responsável pela cor e, consequente nome do dito cujo - e outras especiarias. 

 

RECEITA

Ingredientes

  • Leite vegetal
  • Duas colheres de chá de u
  • Uma pitada de pimenta preta
  • Canela
  • Gengibre (coloco ralado)
  • Cardamomo
  • Cravinho

Preparação
Colocar todos os ingredientes num tachinho e mexer até se misturarem.
No fim, polvilhar com a canela.

 

 

 

 

Tea Time with the Liver

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Hoje foi dia de visitar antigos conhecidos... não, não estava na agenda nem planeado. Não marcámos, fomos convidados, nem levámos um presente para o nosso anfitrião. Apenas aparecemos e, acreditem, ficámos tão surpreendidos como quem nos recebeu! Hoje foi dia de ir beber chá com o fígado (e outros amigos, mas vamos ficar pelo fígado mesmo).

 

Num trabalho de introspecção - e do chamado desenvolvimento pessoal -, trilhando aquele caminho que não podemos deixar de desbravar, hoje tivemos um encontro com alguns dos nossos órgãos.

 

Encontrei o meu fígado no seu canto, grande e pachorrento como um senhor na casa dos 60 cuja paciência já se encontrava um pouco esgotada. Afinal, para um senhor cuja idade já pesa, que vive rodeado de outros órgãos vivaços (alguns quase psicóticos até), nem sempre é fácil. No seu refúgio lateral, como que conformado com a vida e já sem a sua companheira (a vesícula biliar há já alguns anos que se foi), que mais pode um velho sedentário fazer senão suspirar e aguardar? Foi assim que o encontrei. Não se podia dizer que estava de mau humor, mas a sua sapiência permitia-lhe não ter de simular qualquer empatia ou simpatia por ali me ver. Quase que com receio de o incomodar, fui tentando perceber porquê daquele meu velho "dinossauro" se encontrar com tal astral. Não foi preciso palavras para perceber que, quando somos pesados - cada vez mais pesados - a mobilidade é algo que não queremos desbravar. E assim ali se ficou, num local onde - segundo ele - a sua única amiga (ou inimiga) é a boca. Lá me confessou que era dela que gostava e que só ela poderia cuidar dele. Findei a minha visita despedindo-me e fiquei a pensar em tão encorpada personagem. A boca - o seu único e grande amor - amá-lo-ia tanto como ele a ela? Creio que não. Sendo assim, entrei numa missão de amor ao próximo, neste caso, ao meu fígado. Que precisa, na certa, de emagrecer e ganhar alegria de viver!