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Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Quando penso em ti <3

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Quem és tu, que cresces dentro de mim?

De onde vens? O que já fomos juntos e como seremos agora?

 

Uma gota perdida no vazio;

Uma mão que me tocava, mesmo sem ninguém ver…

Desde quando me segues?

Desde quando teceste estes fios de cristal que caminham do meu coração ao teu?

 

Agora que te transformas em corpo,

pedaço a pedaço, dentro do meu próprio Ser.

 

E quando olharmos um para o outro, o que vamos sentir,

Depois de tanto tempo a vivermos - lado a lado - no desconhecido?

Será que nos vamos apaixonar?...

Será que vai doer de tão puro e fundo que vai ser?…

Será que nos vamos amar para sempre?

 

Hoje sou tua e tu és meu;

Seremos, sempre, tu e eu… a caminhar, juntos, por entre as estrelas.

Ligados, por estas teias que brilham mesmo sem sol,

Mesmo que a milhas de distância,

Mesmo que em dimensões opostas:

dois pontos dourados de cristal,

que ligam os nossos corações.

Vamos pintar um novo quadro

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Quem somos? Em que acreditamos? Quais os nossos valores e porque são esses os valores que habitam na caverna do nosso inconsciente? Que correntes tiveram mais influência sobre nós, moldando-nos mais? Culturais, religiosas, espirituais? Até que ponto somos NÓS? Até que ponto, resistimos de sermos realmente NÓS?

 

É confortável viver com quem acreditamos ser - muitas vezes, na nossa confusão mental do que isto representa. Sentimos que não somos de todo assim, mas não sabemos ou conseguimos perceber como ser de outra forma. Como sair do meio do novelo de nós que está criado à nossa volta. Resistimos... temos vontade de não o fazer, mas muitas vezes, temos mais apreensão do que vontade. Receio do novo, do desconfortável. Ou então, apenas não vimos como podemos construir a nossa nova realidade fiel à nossa vontade interna. É como termos uma tela pintada e não gostarmos do desenho e não percebermos que podemos criar uma tela nova, branca. Quando a tela branca chega, uma dança de borboletas inicia-se na nossa barriga... o coração e entusiasmo querem... a mente e a mão tremem... e se esta também não ficar como sinto? Se falhar nesta também? E se for difícil demais? Há um medo em acreditar que é possível - que é permitido. Há um medo, ainda maior, da frustração e da falha.

 

Pergunto: valerá a pena olharmos para a nossa tela e convivermos com uma pintura que não gostamos e nos enfeita o nosso espaço, em detrimento de tentarmos e tentarmos e tentarmos criar uma tela nova, bem à nossa medida, que cada vez que é observada nos preencha o SER de cima abaixo? Qual será a maior das prisões: uma conformidade e tristeza continua ou um cair e levantar constante, em busca do que ambicionamos? 

 

Muitas vezes, quando não conseguimos ter coragem de acreditar que nos cabe a nós deitar a nossa antiga tela fora e adquirir uma nova, a Vida (ou o Universo, ou Deus, ou a Divindade, ou a Energia,...) dá uma ajuda - como ela tão bem o sabe fazer. Quando tem de ser, podem acontecer experiências fortíssimas que nos obrigam literalmente a largar situações e crenças enraizadas e mudar o nosso "chip". E aí percebemos que não temos de viver em esforço, dificuldade, tensão, numa redoma fechada de luta desgastante. Que podemos superar-nos nesse sentido, reescrever-nos - interna e externamente. Que podemos seguir, deixando o medo, a ansiedade, a sabotagem, o controlo, a frustração e a dúvida pelo caminho. Que somos donos da nossa Essência e que escrevemos a nossa história, as nossas células, cada traço e movimento que emitimos.

 

Não precisamos ser Seres resignados cuja nossa identidade anulamos em detrimento disso.
Podemos identificar padrões... reflectir sobre eles... deixá-los ir com segurança e Amor: libertarmo-nos. Por esta ordem.

 

Vamos aceitar a nossa limitação, entregar, reflectir e, passo a passo, mudar estruturas com muita calma, paz e amor-próprio. Com muito respeito por nós. E, com alegria no nosso coração. É como mergulhar - sem hesitações - num mar negro que, conforme vai sendo explorado em profundidade, fica mais claro, aconchegante e colorido.

 

Por isso, sempre que sentir desafios e resistência, aproveite! Sorria e pegue nisso, identifique, leve do inconsciente para o consciente e crie condições para se expandir e libertar. Não viva mais à deriva... avance. Porque a vida dá-nos apenas estas 2 opções. 

 

A época da ilusão, do medo, das crenças de controle para se chegar à perfeição, estão a ser derrubados por um novo paradigma de entrega total. Estamos a ser convidados para um despertar incrível que nos convida para uma vida de Acreditar.

Um puzzle chamado de Minha Vida

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Há muito que quero começar a escrever sobre o meu Ser mais profundo. É engraçado contar as nossas aventuras e peripécias - minhas e do querido intestino - mas há um apelo para mais. Tanta riqueza de informação, tantos fluxos, momentos, pensamentos, aprendizagens,... que parece quase mal não escrever sobre elas. Mas, sabem como é: o pessoal vai deixando passar... deixando passar... depois, tanta água correu debaixo da ponte que nos perguntamos por onde começar e se ainda fará sentido. Decidi começar do Agora - pois nada mais real do que o Agora, certo? Pelo meio, certamente, alguns rasgos do passado. Que o meu sentir me dê coragem para continuar esta partilha - pois nada me deixa mais feliz. Mas a mente.... é uma malandra e está sempre a tentar das suas! Vem com as suas manhas e abana-nos com ideias estapafúrdias como a de que temos preguiça, não somos capazes, não estamos "naquele dia criativo" conforme se acena com uma cenoura à frente dos olhos de um burro e nós, lá começamos a seguir os seus desígnios todos gulosos!

 

Hoje senti que era tempo de não adiar mais. Até porque estamos a passar por um segundo eclipse (deram-se 2 este mês), que pretende vir cutucar-nos e dizer que chegou um novo tempo, um tempo fora da manipulação do ego (e mente) onde o medo de sentir já não nos deve dominar (se assim for a nossa escolha). O desafio diz-nos para deixarmos para trás a ilusão de que temos que controlar partes do nosso Ser, mascarando essa acção com o facto de que o fazemos para atingir o equilíbrio.

 

Faz 1 ano este mês que eu comecei uma nova etapa de como me relacionar comigo própria: num propósito de conhecimento da minha pessoa verdadeira e de aceitação. Num processo de aceitação que tenho várias peças do meu puzzle espalhadas (muitas delas desconhecidas) e que estas têm de ser encontradas, olhadas, percebidas e juntas às outras para formarem um todo. No fim, não pretendo emoldurar a minha criação e por na parede da minha sala. Pretendo viver o meu puzzle usufruindo das peças todas! Não quero nem aceito ter mais medo do que vou descobrir que sou, da dor, do confronto com o corpo e com o sentir, de assumir a minha pessoa adulta com toda a sua história e percurso até então.

 

O primeiro passo foi saber que queria mudar. Depois, tive de ganhar coragem mascarando esse tempo com algumas actividades que fingiam que estava a remar rumo ao meu objectivo. Houve (e há) muita confusão, dificuldade, ansiedade, andar para a frente e para trás... e para trás mais um bocado, e para a frente mais um nadinha. Ufa. Houve dias em que nada fazia sentido e o pânico toma conta - o desconhecido chega a nós e assusta-nos. Dias de compreensão, entrega e pura alegria. Dias de Amor e clareza - de confiança. 

 

Hoje percebi o quanto é simples o caminho. Tão simples. Mas percebi, também, quantas vezes e com quanta facilidade me esqueço dessas indicações tão simples. Gostava de não me esquecer - mas aceito que o faça - é assim que sou. Na verdade, e vai parecer tão cliché escrito apenas assim, a mente é o que me faz esquecer e confunde. Mas isso vou deixar para outra história... grão a grão, As Crónicas do Intestino Irritável irão encher os papos ;) Obrigado por me acompanharem.