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Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Crónicas da Gravidez: A decisão

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Há muito tempo que quero escrever este texto... na verdade, há mais de 2 anos. Só agora senti ser o momento certo... ou, talvez, só agora tenha tido coragem. É preciso alguma dose de energia para nos darmos - mesmo que através da escrita -, para nos entregarmos.

 

Não que isto seja importante, mas posso dizer que tenho uma "história" associada à minha gravidez. Não considero que, o facto de se "ter uma história" traga mais a esta vivência: contudo, todos gostamos de boas histórias...

 

Engravidei, pela 3ª vez, em Janeiro de 2017 - depois de 3 anos de tentativas e vivências que me ensinaram e moldaram - exactamente no momento em que "não deveria" engravidar. Lá no fundo, acho que sempre soube que seria assim: mas não queria era acreditar.

 

Como acontece com várias mulheres, sempre sonhei ser mãe. Já me perguntei, várias vezes, porquê. O que faz uma criança de 8 anos, adolescente de 16 ou uma pessoa no início da sua idade adulta querer "ser mãe"? O querer cuidar? Curiosidade? Instintos? Ou estigmas sociais?...

 

Em 2012, fui à minha consulta de ginecologia anual e disse à médica, a Dra. Margarida França Martins (também conhecida como Margarida Miguéis), que queria começar a tentar engravidar. Depois de uma conversa sobre ter ovários poliquísticos - onde fiquei a saber que poderia ter dificuldades a engravidar - sai do consultório e já não era a mesma. Comecei a ter um medo irracional de ser mãe. Lembro-me de pensar: "Como vou alimentar a criança? Como é que crianças tomarão conta de outra criança?... ... ...". Atenção, eu sei bem como se alimenta um bebé. Mas, na altura, o meu mindset mudou. E veio o nevoeiro... por muito tempo. Entrei num remoinho de medos e dúvidas, no qual me perguntava se - de facto - quereria mesmo este papel. No meio deste novo estado mental, comecei a tentar engravidar. Sabia que o medo me estava a toldar a razão, mas iria tentar. Lembro-me de desejar ficar grávida "sem querer" (upsss... escorreguei e estou grávida). Obviamente, não estava preparada para ser mãe. E, assim, se passou o primeiro ano: entre tentativas e confusão.

 

(continua...)