Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Tea Time with the Liver

liver.jpg

 

Hoje foi dia de visitar antigos conhecidos... não, não estava na agenda nem planeado. Não marcámos, fomos convidados, nem levámos um presente para o nosso anfitrião. Apenas aparecemos e, acreditem, ficámos tão surpreendidos como quem nos recebeu! Hoje foi dia de ir beber chá com o fígado (e outros amigos, mas vamos ficar pelo fígado mesmo).

 

Num trabalho de introspecção - e do chamado desenvolvimento pessoal -, trilhando aquele caminho que não podemos deixar de desbravar, hoje tivemos um encontro com alguns dos nossos órgãos.

 

Encontrei o meu fígado no seu canto, grande e pachorrento como um senhor na casa dos 60 cuja paciência já se encontrava um pouco esgotada. Afinal, para um senhor cuja idade já pesa, que vive rodeado de outros órgãos vivaços (alguns quase psicóticos até), nem sempre é fácil. No seu refúgio lateral, como que conformado com a vida e já sem a sua companheira (a vesícula biliar há já alguns anos que se foi), que mais pode um velho sedentário fazer senão suspirar e aguardar? Foi assim que o encontrei. Não se podia dizer que estava de mau humor, mas a sua sapiência permitia-lhe não ter de simular qualquer empatia ou simpatia por ali me ver. Quase que com receio de o incomodar, fui tentando perceber porquê daquele meu velho "dinossauro" se encontrar com tal astral. Não foi preciso palavras para perceber que, quando somos pesados - cada vez mais pesados - a mobilidade é algo que não queremos desbravar. E assim ali se ficou, num local onde - segundo ele - a sua única amiga (ou inimiga) é a boca. Lá me confessou que era dela que gostava e que só ela poderia cuidar dele. Findei a minha visita despedindo-me e fiquei a pensar em tão encorpada personagem. A boca - o seu único e grande amor - amá-lo-ia tanto como ele a ela? Creio que não. Sendo assim, entrei numa missão de amor ao próximo, neste caso, ao meu fígado. Que precisa, na certa, de emagrecer e ganhar alegria de viver!

 

Fim de ano e um nó no Intestino

shutterstock_277674878.jpg

 

O fim dos anos são sempre muito complicados para nós (eu mesma e para o intestino também!): esta sensação de algo inacabado, prestes a acabar - na qual tudo fica em suspenso - deixa-nos meio loucos. 

 

Em todos os fins de ano, normalmente 1 mês antes, começamos sempre com esta sensação sufocante de que tudo fica em suspenso. Invade-nos uma vontade que tudo acabe logo para depressa vir um novo ano - como quando o dia começa depois de uma noite bem escura e longa. É como estar debaixo do mar e poder, por fim, chegar à superfície e respirar. Nem sempre este sentimento tem razão de ser - por vezes apenas lá está. Mas este ano, para além de ter começado mais cedo, todas as semanas acontecem pequenas coisas. Umas marretadas na cabeça que nos vão enterrando aos poucos na lama fria.

 

Penso que a isto se chame vida: ao mesmo tempo que é insuportável e sufocante - é maravilhoso assistir à sua sabedoria, pois ela não faz nada em vão. E quando assistimos às causas sabendo os porquês, tudo ganha uma nova dimensão e é como se um nós se desfizesse numa alegre dança de luzes.

Intestino no Feminino

intestinoirritavel.jpg

 

Acredito que a nossa caminhada nesta jornada é feita de etapas - e que cada etapa tem um ou mais temas de aprendizagem associados. Para mim, desde uma determinada tomada de consciência, estes revelam-se bastante claros. Quando assim o é, é vital ficarmos atentos ao mesmo e percebermos o que é que ele nos sussurra ao ouvido - que dança quer ter connosco. É uma chamada de atenção para aprofundarmos o nosso conhecimento sobre o assunto, ou é apenas para trabalharmos a temática em nós mesmos? É para mudarmos a nossa forma de estar relativamente ao que nos é proposto? Estamos em ponto de viragem e mudança - relativamente a esse assunto? Ou aquele tema surge porque estamos a mudar alicerces e ele vem confirmar esse trabalho?

 

Neste momento, estou a trabalhar, pelo menos, 2 grandes temas e há um - ao qual não estava a dar tanta importância assim, que tem vindo a acenar-me com mais euforia a cada semana que passa: o do ciclo feminino. A escuta activa do corpo feminino para uma jornada mensal mais plena, consciente, frutífera e equilibrada.

 

Sempre fui daquelas pessoas que não escuta o seu corpo tanto quanto podia, sendo que sabia a data da menstruação e a data em que ela deveria vir. Parecia o bastante. Depois do meu percurso durante este ano, e sendo que ando a trabalhar o meu útero mais activamente nos últimos 2 meses, escutar mais o meu ser feminino chama por mim a cada dia que passa.

 

2016 foi, decididamente, o ano em que o feminino, a maternidade, o útero e todos os símbolos do que é ser mulher se destacaram. Se houvesse "a Palavra do Ano" no meu universo pessoal: feminino seria, sem dúvida nenhuma, uma das potenciais vencedoras. Imagino na quantidade de mulheres que, como eu (até agora) têm mais do que pensar no que em escutar o seu corpo - o seu "Eu" feminino. Mas desde que fiquei atenta a este tema e o comecei a sentir em mim, há coisas engraçadas que acontecem. Este mês, tenho quase a certeza que senti a minha ovulação. Tenho muitas amigas que a sentem, mas eu nem isso.

 

Esta caminhada que começou mais activamente com a consciência de uma série de problemas no aparelho reprodutor (primeiro foram os ovários poliquísticos, depois o útero que tem um septo), vai-se desenvolvendo como uma brisa que segue a corrente de um rio: leve, solta e fluida. Em Outubro, participei pela primeira vez com sentido e consciência na Bênção do Útero - uma meditação temática planetária que está ligada ao nosso eu feminino.Fiquei a saber que há mulheres que estudam os seus ciclos e os associam às Fases da Lua, tirando daí um conhecimento que elas consideram fundamental. Tomei conhecimento de um projecto interessante: o Tesouro de Lilith, onde li sobre o respeito pelos nossos ciclos:

"O ciclo menstrual proporciona-nos uma grande sabedoria de nós próprias e da natureza que nos rodeia. É muito fácil de entender se observamos as estações!"

 

Enfim, percebi que o meu EU Feminino era importante para saber contar a minha própria história, e crescer dentro dela. Faz parte do nosso rumo, do nosso equilíbrio e que está em nós. É algo importante de ser resgatado como sabedoria interna e ancestral. Que se olharmos para a natureza em busca de inspiração, percebemos que a vida surge a partir de momentos como este com um grande potencial de renascimento - como que uma semente oculta prestes a romper a terra e brotar.

Uma questão de parto

shutterstock_22415104.jpg

 

Hoje falo para ti: tu que te sentiste sozinha, tu que enfrentaste medos e ansiedade, tu que nunca te esqueceste do momento em que nasci por ter sido o melhor e um dos piores da tua vida - tudo ao mesmo tempo. Hoje falo para ti, para te dizer: valeu a pena teres-me. Valeu a pena toda a tormenta que, afinal, não passou de uma noite escura em alto mar para depois brilhar o dia sem fim. Agora que estou aqui, que olho para ti, te abraço, ajudo e que ESTOU e SOU - posso te dizer: valeu a pena teres-me.

Vai dar banho... ao intestino!

Screen Shot 2015-08-13 at 12.31.00.png

 

Ontem, "encontrei" 2 artigos que pretendo partilhar aqui. :)

Deixo o primeiro, escrito em 2010 no blogue Estética in Natura.

Permiti-me de passar do PT do Brasil para PT de Portugal.

 

A Importância da Lavagem Intestinal


Porque usar a terapia COLON-HYDRO?


"A morte encontra-se no intestino" - é uma antiga sabedoria?

O intestino está submetido a um stress permanente devido à forma convencional de nos alimentarmos: uma parte excessivamente grande dos alimentos ingeridos é formada por alimentos desnaturalizados com um baixo conteúdo em fibras vegetais, um alto teor de gordura e açúcar, agentes conservadores e outros aditivos químicos. A mastigação reduzida, a rápida ingestão assim como os problemas psíquicos favorecem os transtornos intestinais e digestivos.


A manifestação mais frequente são: a prisão de ventre ou a flatulência, uma sensação de pressão e peso no corpo.
As substâncias residuais a serem eliminadas que permanecem por um tempo excessivo no sistema digestivo, apresentam uma forte tendência a fermentarem ou a se decomporem. Em ambos os casos, a consequência é uma rápida proliferação de bactérias nocivas, micoses e outros venenos. Devido à reabsorção, produz-se, inevitavelmente, uma auto-intoxicação. Numerosas doenças têm a sua origem nesta auto-intoxicação.

Campos de aplicação da terapia COLON-HYDRO - Mencionamos as principais indicações terapêuticas:

  • obesidade
  • ventre dilatado
  • obstipação 
  • flatulência 
  • diarreias
  • cólon irritável 
  • obstipação aguda
  • infecção parasitaria
  • colites ulcerativa
  • diverticulitos
  • doença de Crohn
  • limpeza de colostomia 
  • hipotermia/Hipertermia
  • dermatosis

 

FONT:
Paula Ilhéu e equipe (Daniele, Patricia)

www.esteticainnatura.blogspot.com

O dia em que emprestei a minha solidão

shutterstock_217499845.jpg

Por vezes, de X em X tempos, acontecem aqueles encontros a que algumas pessoas chamam de "improváveis". De quando a quando - quando tudo estagna, uma fase termina e tudo parece prestes a rebentar cá dentro: fico à espera deles como um rato que vai sair de casa e ser apanhada por um gato. São pessoas-chave que aparecem nas nossas vidas em determinada época, que connosco pegam nela, nos dão uma colher gigante para a remexermos, a ajudam a transformar, nos chocalham e erguem pontes. Aparecem em conjunto ou sozinhos e onde tudo parecia estar a ficar escuro, aparece luz.

 

Hoje foi um desses dias por aqui e o intestino bateria palminhas de contente - caso tivesse umas mãozinhas para o fazer. Na falta delas, bato eu.

 

Há cerca de 15 dias que comecei a trabalhar um tema traumático que me afectou no início da Primavera e que eu havia arrumado numa gaveta na esperança que ficasse lá dobrado e guardado - bem quieto e seguro. Ontem foi o dia em a gaveta se abriu e dela saltou tudo o que eu esperava lá ter ficado. Saltou, perseguiu-me e cercou-me por vários lados. Foi neste tumulto interior que recebi uma chamada de uma amiga que ajuda na organização e logística de um espaço chamado Alma Cheia, a contar que uma nova terapeuta tinha ido visitar o espaço e que ela tinha pensado em mim. Era uma pessoa chamada Paula, qualquer coisa sobre nutrição... bláblá... novo método... bláblá...Sem pensar ou ouvir, disse-lhe: tenta agendar uma consulta para mim. Aquelas decisões que são óbvias e que, assim que tomadas, pensamos no porquê de as termos tomado. Quando assim é, desligo o complicómetro o máximo possível. A consulta foi marcada para hoje (que rápido - a sério?) e, antes de me deitar, pensei que talvez fosse melhor desmarcar (que raio ia lá fazer?). Não desmarquei: desliguei e dormi.

 

Hoje lá estava. Antes da consulta comecei a ficar realmente nervosa e impaciente. No meu fundo, sabia que ia ser importante e que ia ter de voltar ao de cima e assumir a vontade de mudança. Isso, às vezes, custa. Outras, dói. Outras, custa e dói. É chato e dá trabalho e pfffff - nós gostamos tanto de viver de papo para o ar. Entrei, descalcei-me sem perguntar (casa, casa - vou por-me à vontade como se tivesse em casa - normalizar - fingir que não me importo e que estou como um peixe na água - afinal, porque raio estou nervosa?!). A terapeuta/especialista - Paula - era diferente do que imaginava: mais baixa. Parei de pensar. Entrámos na sala: a consulta começou (o que é que a Paula faz mesmo? Devia ter prestado mais atenção ao que me foi dito...). Vamos directas ao assunto: viaje até a um momento de grande sofrimento para si (assim tão rápido, sem mais nem menos - OMG e agora?). Vários momentos - 3 para ser mais concreta - passam-me pela cabeça. "Quando nasci" - oiço-me a dizer. Que ironia, sinto-me uma farsolas coitada. Porque será que disse isto? Porque sim. Mas não gosto de estar viva? Gosto sim: uns dias mais, outros menos - mas não quero morrer. Então? Não sei, apenas parece que fui obrigada e não me apetecia. Bom, vamos continuar. Falámos de sentimentos. Que tipo de tristeza sinto? Solidão... Que tipo de solidão? Duas: aquela que se sente quando se está rodeada de pessoas que nos deviam conhecer, mas não conhecem e aquela outra, em que nos sentimos sozinhas no mundo e sem compreensão. E se essa solidão fosse uma peça de roupa, o que seria: umas jardineiras. Descortinámos as jardineiras e a consulta avançou mais um pouco. Emprestas-me as jardineiras durante 30 dias? Sim... porque não? Não me importo de emprestar coisas. Escrevemos um pacto - comprometo-me ao empréstimo. 

 

A consulta continuou, embora não a vá descrever toda hoje. Seria demasiado longo e ainda está demasiado no meu sentir apenas - nem tudo se coloca por palavras sempre. A terapeuta chama-se Paula Mouta e é uma terapeuta de Nutrição Funcional (e tanto mais!). A sua energia - no meu sentir - é bondosa, doce, muito maternal. A sua auto-confiança e amor-próprio contagiaram-me: também quero isso para mim - quero amar-me o suficiente para me achar deslumbrante e me defender, nutrir e acarinhar. O projecto da Paula chama-se In Vivo - Nutrição Funcional - Um modo de vida saudável e podem ler mais sobre ele aqui. Vão ouvir falar muito sobre esta nova experiência por aqui, uma vez que este método integra um programa de 7 fases - todas elas com 21 dias de implementação. Vou contando e partilhando mais sobre o projecto e sobre como o estamos a viver: eu e o intestino! ;)

 

No centro está a virtude

 

Esta foi uma semana muito preenchida em trabalho e por isso andámos mais afastados. Hoje, abri a plataforma do blogue e fiquei a olhar para o espaço vazio do título e de onde deveria escrever. Sei que há algo para escrever, que há tanto para partilhar, mas o tema não está definido. Pela primeira vez - em muito tempo - isso não me frustra, não me assusta, não me faz sentir que estou a falhar. Começo a escrever não para me evadir e mostrar a pessoa que gosto de mostrar que sou, mas para me mostrar a mim mesma. É importante sabermos fazer isso, certo? Numa sociedade em que vestimos as nossas fatiotas dia e noite, porque não apenas SER uma vez ou outra? Não é o que nos ensinam as terapias, livros, palestras de desenvolvimento pessoal? É... mas saber e sentir são coisas diferentes.

shutterstock_28279736622.jpg

 

Hoje escrevo em paz comigo mesma - assaltou-me a sensação de que tudo está no sítio certo. Por "norma", tudo está sempre certo, na altura certa. Tudo está cuidadosamente estruturado para ser como é. Apenas hoje aceito isso sem que o meu mental tente boicotar essa aceitação. Sinto-me centrada e estou grata por isso.

Quem tem cu, não tem de ter medo

11046280_867796819969736_2971153230716378422_o.jpg

Devo dizer que hoje o intestino ficou bem irritado com a minha pessoa: decidi fazer com que saísse da sua zona de conforto. Ele não gosta, nada, nada, nada. E faz questão de mo deixar bem claro. Desta vez, não lhe dei ouvidos. Ou tentei ao máximo não o fazer. 

À medida que fui crescendo fui dando importância à noção de perigo, fui alimentando medos como o da dor, da morte, entre outros. Lembro-me de um exemplo claro de quando isto começou: quando era criança, sempre andei na ginástica e fiz desporto. Na tal ginástica, fazíamos uns saltos por cima de umas coisas cujo nome já nem me lembro. Será que foi noutra vida? Um dos exercícios exigia que déssemos um salto numa rampa para depois, darmos uma cambalhota por cima da tal coisa que parecia um lombo de um cavalo. Um dia, só assim, pensei: se enrolo mal o pescoço, posso parti-lo e não voltar a mexer-me. Devia ter 9 anos. A partir daí, comecei a ter medo de uma série de exercícios.

Para a dor foi a mesma coisa - nem sempre tive medo da dor. Fui uma criança com algumas complicações no sistema digestivo - tive de me submeter a exames médicos desagradáveis e dolorosos -, usei aparelho tendo de ir ao dentista várias vezes,... nunca reclamei da dor pois sabia que tinha de o fazer. Comecei a ter medo da dor quando fui morar sozinha aos 18 anos. Pude, pela primeira vez, recusar algo e comecei a encontrar-me.

Durante anos recusei-me (e ainda o faço com frequência) a sair da minha zona de conforto. Sempre que o faço, o intestino fica mesmo irritado e tenho de fugir para o WC mais próximo para ele se sentir seguro. É uma questão nervosa e mental. Uma vez ou outra, desafio-o. É como quem diz, desafio-me. Pretendo fazê-lo mais e mais. Ter medo e ficar enrolada sobre mim mesma é igual a não viver; é igual a sobreviver. Não quero mais isso para mim, não quero ser essa a mulher que o meu companheiro vê ao seu lado ou a futura mãe de hipotéticos filhos. Quero sentir conscientemente. Não quero pensar no medo que algo me faz, quero sentir medo (ou não) a fazê-lo. Quero que o meu leque de interesses e experiências sejam mais abrangentes do que viajar  em livros e séries no meu sofá.

Por isso, quarta - um dia muito especial - fui experimentar Stand Up Paddle no mar da Caparica. Avisei o instrutor que tinha medo de levar com umas ondas valentes na tromba enquanto entrava para o mar - mas que sabia bem nadar e gostava de água. Não lhe disse que mesmo sabendo que não há tubarões por cá me assegurei que não tinha uma ferida a sangrar e que me contive de fazer um belo xixi na água - só para não correr o risco de ver uma barbatana a vir na minha direcção - nunca se sabe! Não me lembrei - antes de entrar na água e me afastar da costa - que se tivesse um ataque de pânico ou me sentisse mal não estava em local seguro e de fácil acesso. Lembrei-me disso quando já lá estava e tentei não dar importância a esse pensamento. Mas também me lembrei o quanto gosto de sentir a água fria na minha pele, de mergulhar, de desafios, de me sentir viva.

A cevada para além da cerveja

cevada.jpg

Intestinos amigos: sempre fui fãaaaa da cevaja! Mas só a conhecia em formato cerveja ;) continuo a ser fã da cevada-cerveja, mas ontem decidi ir conhecer a cevada-chá (também tenho lá a cevada-almoço na lista da experimentação).

Ontem, peguei nuns grãos de cevada que tostei numa frigideira sem óleo - é necessário este processo para se usar a cevada na criação do chá. Coloque água num tachinho, hortelã (4 pés) do vaso do quintal (que é uma varanda) e umas cascas de limão. Deixei levantar fervura, baixei o lume e deixei 5 minutos a ferver. Depois, ficou a arrefecer (tarefa mais demorada com o calor que estava) e no dia seguinte pus ao fresco. Hoje, adivinhem o que me vai "matar" a sede? :)

Na Medicina Tradicional Chinesa, este chá é usado como um calmante natural (não contem cafeína) e ajuda com problemas de sono. Para além disso, ajuda a limpar as impurezas do sangue, é diurética, antioxidante e tem propriedades antibacterianas.

 

Alimento com Vida - diferente? Sempre!

FullSizeRender (1).jpg

 

Foi na minha consulta de iniciação à dieta Marcobiótica, com a Daniela Ricardo da Bio Family, que ouvi falar - pela primeira vez - de um tal Feijão Azuki. Quando fui às compras, fazia parte da minha lista por ter sido um dos alimentos destacados em consulta.

 

Hoje, decidi ir tratar dele :) 

Para quem não conhece, o feijão azuki é uma leguminosa selvagem originária do Japão. Chegou à Europa no século XX, depois de ter sido levado pelos emigrantes japoneses para o Brasil. É um alimento de grande riqueza nutricional, rico em proteínas, fósforo, cálcio, ferro, potássio, zinco, fibras solúveis e vitaminas do complexo B.

Para além de propriedades diuréticas, este feijão fermenta menos do que os outros. Auxilia na formação óssea, fortifica e regenera rins cansados, sendo indicado para disfunções renais, hipertensão e diabetes. Os japoneses utilizam-no na preparação de doces com sabor suave. O consumo de arroz com feijão azuki fornece ao organismo uma combinação nutricional completa.

Como outros produtos que tenho usado, este feijão deve ser deixado de molho em água durante 4 a 12 horas. Cozinhei-o, sem sal, numa panela normal (não tenho panela de pressão - assombraram a minha infâncias e ainda não são bem-vindas na minha casa) cerca de 30 minutos. Adicionei uma tira de alga Kombu e por 1 chávena de feijão adicionei 5 de água. Ele ficou macio e bem cozido - não tive problemas com a cozedura.

Depois, conforme tinha lido, aproveitei a água da cozedura para usar como chá - esta infusão é indicada para fortalecer os rins, a bexiga e os órgãos reprodutores, ajudando ainda a lidar com a obstipação e a eliminar o excesso de produtos animais do organismo. 

FullSizeRender (6).jpg

Como os meus olhos (e cérebro) também comem, beber a calda da cozedura do feijão em formato de chá foi um conceito que me criou alguma confusão. Mas bebi. Se faz bem, nada como experimentar! O sabor é ao de uma sopa de feijão bem fraquinha e depois de se beber, a sensação é de conforto. Provem e digam-me se gostaram!

Já passei a receita a uma colega de trabalho que tem problemas de rins.

Normalização

FullSizeRender.jpg

 

Já por aqui falei, anteriormente, nas possíveis dificuldades em mudar de regime alimentar quando não se vive sozinha ou se vive em casal. Penso que quando vivemos com colegas ou pais possa ser mais fácil, uma vez que basta começarmos a comprar as nossas próprias coisas e a cozinhar para nós. Contudo, quando vivemos enquanto casal - cujas refeições são partilhadas, programadas, pensadas e confeccionadas em conjunto - e quando a mudança é apenas de um dos elementos - a ginástica é maior.

 

Tenho falado com pessoas que passaram por este processo, com variadas histórias: umas o/a companheiro/a altera os hábitos também, outras recusa-se definitivamente, outras que contam como pode ser interessante e engraçado. No meu caso decidimos que cada um seguia com a sua dieta.

 

Posso dizer-vos que nunca tinha reparado como a comida - desde o processo de compra a cozinhar e comer - unia as pessoas. A força social do acto de comer é espantosa, sendo um motor inconsciente para muitos.

 

Tomada a decisão, já passei por várias fases: a do comer sozinha; a do ir às compras sozinha; a do fazer para os dois e não ser aceite; a do fazer diferente para cada um e a do outro ficar pouco apetitosa; a de comermos apenas fora para tentarmos fugir da hora da refeição em casa; a do tentar fazer uma base comum e mudar apenas um dos elementos (a carne); a do fazer peixe e peixe para dar para os dois,... penso que há uma sensação de abandono quando, numa relação, uma das pessoas muda um hábito comum. Fico feliz que esta sensação e situação esteja a ser ultrapassada, aos poucos, e a normalizar. Agora tudo flui com mais facilidade - embora ainda falte um pouco de óleo na engrenagem ;)

 

Hoje: duas frigideiras e dois tachos. Carne de peru numa e cubinhos de tofu na outra. Arroz integral para um lado, branco para outro. Natas de aveia e caril para os dois :)

 

FullSizeRender (1).jpg

FullSizeRender (3).jpg

FullSizeRender (4).jpg

FullSizeRender (6).jpg

FullSizeRender (7).jpg

FullSizeRender (8).jpg

 

 

Uma granda Bolonhesa!

FullSizeRender (14).jpg

 

Se há uma coisa que me deixava a salivar, era a Bolonhesa da minha mãe! Ah e tal, dias tristes: Bolonhesa da mãe; dias com pouco sabor: Bolonhesa da mãe; a precisar de mimos: Bolonhesa da mãe - e de preferência com muito queijo ralado.

 

Foi por isso que este fim de semana me dediquei a reproduzir tal e qual a receita desta Bolonhesa mas com Seitan em vez da bela carnuxa! Não é a mesma coisa - não poderia - mas ficou muito boa e substitui calmamente a outra. Eu e o intestino agradecemos :)

 

Fiz esta bolonhesa não só para acompanhar uma massa de Quinoa, mas também, por exemplo, para rechear legumes.

 

RECEITA DA BOLONHESA

 

Ingredientes

  • 500gr de seitan 
  • 1 cebola
  • 1 cenoura 
  • 3 alhos
  • 4 pés manjericão 
  • 1 molho de salsa
  • 1 pé de aipo
  • Louro
  • 1/2 copo pequeno de vinho branco 
  • Tomilho
  • 1 lata de tomate bio
  • 1 tomate maduro

Preparar

  1. Refogar a cebola e algo com louro e tomilho
  2. Adicionar cenoura e manjericão e salsa triturados

FullSizeRender (11).jpg

FullSizeRender (12).jpg

3. Juntar a seitan e deixar a tomar gosto 10 min
4. Deixar refogar bem e juntar o vinho branco - deixar evaporar
5. Adicionar o tomate triturado
6. Mexer bem - baixar o lume - tapar e deixar 1 hora a cozinhar

 

Voilá!