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Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Por entre "portas" e "travessas"

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No meu encontro do hoje comigo mesma, percebi que a minha mente tinha um feitio péssimo! Quando digo "péssimo", é porque é mesmo intragável! Para além de ter achado bastante pesada, não estava à espera de a encontrar com tamanho mau-feitio, má educação, ego e mania de que quem manda e é a "bad girl" lá do sítio ser ela! Mas, se calhar, antes de avançarmos, é melhor recuarmos um pouco. Não quer que a vossa mente fique com TPM só de ler esta crónica e não perceber patavina.

 

Nas minhas tentativas de me perceber, conhecer, aprimorar (sim, esta palavra dá outro charme à coisa) tenho meditado até ao meu interior. Convém explicar que quando medito - e de forma a fazer uma finta à minha mente - arranjo uma forma bastante animada de me relacionar com as coisas. Quando digo animada, é mesmo animada: muitas das minhas visualizações são feitas através do incrível mundo dos desenhos e cartoons. São coloridos, simples de entender, dinâmicos e rápidos de assimilar. Para além disso, fazem-me rir. Por isso, parece-me bem que assim seja (ao início não me parecia muito bem, uma vez que achava que fazia com que a coisa se tornasse menos séria. Ver um anjo dourado a transmitir-me uma mensagem celestial = válido; ver um cartoon que através do seu humor, cores me diga o que o meu sub-consciente e corpo me querem transmitir = pouco sério, então?!).

 

Posto isto, continuemos. Hoje foi dia de visitar a mente (dei uma espreitadela a alguns órgãos do corpo também) e, fiquei surpreendida com a falta de chá com a qual fui recebida! Que serzinho mais feio! E eu que a tinha em tão boa conta. Se calhar, não a devia ter colocado num pedestal tão alto, nem alimentado com o facto de que a considerava o ser mais importante do meu corpo... A minha mente estava cinzenta, pesada, gritava com os restantes órgãos do corpo e percebi que me condicionada as minhas decisões de vida, auto-estima, segurança em mim, vivacidade e energia vital em demasia. Percebi que, para ela, era mais confortável criar dúvidas que levavam ao medo constante, de forma a me ter sob seu controlo e poder. Tive de lhe dar um valente ralhete, claro está! No meio disto tudo, é engraçado ver como o coração ali estava, a aguardar com a sua sabedoria, paciência, ternura - como grande Mãe que é. Apenas a sorrir, pronto a acolher-me, mesmo depois de ter sido esquecido durante tanto tempo. <3

Um puzzle chamado de Minha Vida

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Há muito que quero começar a escrever sobre o meu Ser mais profundo. É engraçado contar as nossas aventuras e peripécias - minhas e do querido intestino - mas há um apelo para mais. Tanta riqueza de informação, tantos fluxos, momentos, pensamentos, aprendizagens,... que parece quase mal não escrever sobre elas. Mas, sabem como é: o pessoal vai deixando passar... deixando passar... depois, tanta água correu debaixo da ponte que nos perguntamos por onde começar e se ainda fará sentido. Decidi começar do Agora - pois nada mais real do que o Agora, certo? Pelo meio, certamente, alguns rasgos do passado. Que o meu sentir me dê coragem para continuar esta partilha - pois nada me deixa mais feliz. Mas a mente.... é uma malandra e está sempre a tentar das suas! Vem com as suas manhas e abana-nos com ideias estapafúrdias como a de que temos preguiça, não somos capazes, não estamos "naquele dia criativo" conforme se acena com uma cenoura à frente dos olhos de um burro e nós, lá começamos a seguir os seus desígnios todos gulosos!

 

Hoje senti que era tempo de não adiar mais. Até porque estamos a passar por um segundo eclipse (deram-se 2 este mês), que pretende vir cutucar-nos e dizer que chegou um novo tempo, um tempo fora da manipulação do ego (e mente) onde o medo de sentir já não nos deve dominar (se assim for a nossa escolha). O desafio diz-nos para deixarmos para trás a ilusão de que temos que controlar partes do nosso Ser, mascarando essa acção com o facto de que o fazemos para atingir o equilíbrio.

 

Faz 1 ano este mês que eu comecei uma nova etapa de como me relacionar comigo própria: num propósito de conhecimento da minha pessoa verdadeira e de aceitação. Num processo de aceitação que tenho várias peças do meu puzzle espalhadas (muitas delas desconhecidas) e que estas têm de ser encontradas, olhadas, percebidas e juntas às outras para formarem um todo. No fim, não pretendo emoldurar a minha criação e por na parede da minha sala. Pretendo viver o meu puzzle usufruindo das peças todas! Não quero nem aceito ter mais medo do que vou descobrir que sou, da dor, do confronto com o corpo e com o sentir, de assumir a minha pessoa adulta com toda a sua história e percurso até então.

 

O primeiro passo foi saber que queria mudar. Depois, tive de ganhar coragem mascarando esse tempo com algumas actividades que fingiam que estava a remar rumo ao meu objectivo. Houve (e há) muita confusão, dificuldade, ansiedade, andar para a frente e para trás... e para trás mais um bocado, e para a frente mais um nadinha. Ufa. Houve dias em que nada fazia sentido e o pânico toma conta - o desconhecido chega a nós e assusta-nos. Dias de compreensão, entrega e pura alegria. Dias de Amor e clareza - de confiança. 

 

Hoje percebi o quanto é simples o caminho. Tão simples. Mas percebi, também, quantas vezes e com quanta facilidade me esqueço dessas indicações tão simples. Gostava de não me esquecer - mas aceito que o faça - é assim que sou. Na verdade, e vai parecer tão cliché escrito apenas assim, a mente é o que me faz esquecer e confunde. Mas isso vou deixar para outra história... grão a grão, As Crónicas do Intestino Irritável irão encher os papos ;) Obrigado por me acompanharem.